21/05/2004
Número - 369


 

Luiz Carlos Amorim

 

ESCRITORES E ESCRITURAS  


 

Dois eventos importantes marcaram o calendário cultural catarinense, do final de abril até meados deste mês de maio. Primeiro, foi a 14ª edição de Um Dedo de Prosa, tipo de talk-show que o CCE da Universidade Federal de Santa Catarina vem realizando com escritores da terra. Esta última edição foi com a escritora de Blumenau, Urda Alice Klueger, a moça loira dos dedos cheios de poesia, convidada para falar de sua vida e obra. O local teve que ser mudado para um maior e o evento foi realizado no auditório da Reitoria da UFSC, que mesmo assim foi pequeno. Foi a maior audiência de toda a história do “Dedo de Prosa”. Uma boa constatação, ver que um escritor da terra é tão prestigiado, ver que a literatura feita no estado está sendo reconhecida. E – importante – os espectadores não eram escritores, como via de regra acontece nesse tipo de evento – a maioria dos presentes era gente jovem, estudantes. Sempre considerei Urda a principal romancista de nosso estado, e tivemos a comprovação disso naquela oportunidade. Ela tem onze livros publicados – de romance, de crônica, de viagem, infantil – um deles em décima edição.

Outro evento importante foi a Feira de Rua do Livro de Florianópolis, que realizou-se de 5 a quinze de maio, no Largo da Alfândega, próximo ao Mercado Municipal – indo desde o mercado até a Praça XV – praça da figueira centenária. A feira, por si só já é um grande acontecimento, mas o mérito da feira de rua é colocar o livro onde as pessoas passam, dar acesso a todos, indistintamente, principalmente àqueles que não puderam ter, até então, por qualquer que seja a razão, contato com a literatura. E é a aproximação deste público novo, o fato de interferir concretamente na realidade de cada um, de colocar o livro no caminho das pessoas comuns, que faz com que se atinja o objetivo de conquistar novos leitores, de fazer com que se leia mais.

Feira do livro na rua não é novidade, pois a de Porto Alegre é feita a céu aberto faz muito tempo. A própria feira do livro de Florianópolis era feita ao ar livre, há alguns anos. Foi, então, para o Beiramar Shopping, e agora temos duas feiras anuais: em maio a Feira de Rua do Livro e em setembro a Feira de Livro tradicional, em local fechado.

E esta edição da feira de rua do livro foi dedicada às crianças, não por acaso, pois a tendência das últimas feiras em geral tem sido a crescente venda de livros infantis. A feira de rua parecia uma imensa festa do livro para a criançada: o grande destaque era a variedade de publicações infantis, com apelo bastante forte na maior parte dos quase cem estandes. E a criançada enchia os corredores, indo e vindo a escolher os livros que comprariam.

Os onze dias do evento levaram aos estandes cerca de 150 mil pessoas, que compraram em torno de 35 mil livros, apesar da chuva que caiu em Florianópolis em quase metade do tempo da feira.


(21 de maio/2004)
CooJornal no 369


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lcamorim@viawave.com.br
Florianópolis, SC