| Luiz Carlos Amorim
ESCRITORES E ESCRITURAS
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Dois eventos importantes marcaram o calendário cultural catarinense, do final de
abril até meados deste mês de maio. Primeiro, foi a 14ª edição de Um Dedo de
Prosa, tipo de talk-show que o CCE da Universidade Federal de Santa Catarina vem
realizando com escritores da terra. Esta última edição foi com a escritora de
Blumenau, Urda Alice Klueger, a moça loira dos dedos cheios de poesia, convidada
para falar de sua vida e obra. O local teve que ser mudado para um maior e o
evento foi realizado no auditório da Reitoria da UFSC, que mesmo assim foi
pequeno. Foi a maior audiência de toda a história do “Dedo de Prosa”. Uma boa
constatação, ver que um escritor da terra é tão prestigiado, ver que a
literatura feita no estado está sendo reconhecida. E – importante – os
espectadores não eram escritores, como via de regra acontece nesse tipo de
evento – a maioria dos presentes era gente jovem, estudantes. Sempre considerei
Urda a principal romancista de nosso estado, e tivemos a comprovação disso
naquela oportunidade. Ela tem onze livros publicados – de romance, de crônica,
de viagem, infantil – um deles em décima edição.
Outro evento importante foi a Feira de Rua do Livro de Florianópolis, que
realizou-se de 5 a quinze de maio, no Largo da Alfândega, próximo ao Mercado
Municipal – indo desde o mercado até a Praça XV – praça da figueira centenária.
A feira, por si só já é um grande acontecimento, mas o mérito da feira de rua é
colocar o livro onde as pessoas passam, dar acesso a todos, indistintamente,
principalmente àqueles que não puderam ter, até então, por qualquer que seja a
razão, contato com a literatura. E é a aproximação deste público novo, o fato de
interferir concretamente na realidade de cada um, de colocar o livro no caminho
das pessoas comuns, que faz com que se atinja o objetivo de conquistar novos
leitores, de fazer com que se leia mais.
Feira do livro na rua não é novidade, pois a de Porto Alegre é feita a céu
aberto faz muito tempo. A própria feira do livro de Florianópolis era feita ao
ar livre, há alguns anos. Foi, então, para o Beiramar Shopping, e agora temos
duas feiras anuais: em maio a Feira de Rua do Livro e em setembro a Feira de
Livro tradicional, em local fechado.
E esta edição da feira de rua do livro foi dedicada às crianças, não por acaso,
pois a tendência das últimas feiras em geral tem sido a crescente venda de
livros infantis. A feira de rua parecia uma imensa festa do livro para a
criançada: o grande destaque era a variedade de publicações infantis, com apelo
bastante forte na maior parte dos quase cem estandes. E a criançada enchia os
corredores, indo e vindo a escolher os livros que comprariam.
Os onze dias do evento levaram aos estandes cerca de 150 mil pessoas, que
compraram em torno de 35 mil livros, apesar da chuva que caiu em Florianópolis
em quase metade do tempo da feira.
(21 de maio/2004)
CooJornal no 369
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal
Prosa,
Poesia & Cia.
lcamorim@viawave.com.br
Florianópolis, SC