30/04/2004
Número - 366

 

Luiz Carlos Amorim

 

AS NOVAS E AS VELHAS BIBLIOTECAS


 

Lendo, outro dia, notícia sobre a Lei do Livro, de autoria do senador José Sarney, sancionada pelo Presidente da República e aguardando regulamentação, lembrei-me da necessidade de as bibliotecas municipais e escolares terem, em seus acervos, os clássicos da literatura brasileira e portuguesa e também as obras de autores contemporâneos. É de importância vital que as bibliotecas das escolas tenham clássicos como as obras de José de Alencar, Machado de Assis, Joaquim Manoel de Macedo, Bernardo Guimarães, Aluísio de Azevedo, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo e outros autores representativos, pois do contrário, os pais de alunos de primeiro e segundo grau vão continuar tendo que comprar esses livros, além de títulos de autores atuais, no enxoval de seus filhos, todo ano. E sabemos que é pesado, muito pesado para a maioria dos pais que têm filhos na escola pública, comprar diversos obras que são pedidas a cada ano, para as aulas de língua e literatura, além dos livros didáticos, todo o material escolar, uniforme, etc.

Muitas escolas e muitas cidades, pelo Brasil afora, nem sequer têm biblioteca. Muitas bibliotecas existentes em algumas escolas e em algumas pequenas cidades do interior (e nas grandes, também!), têm um acervo de livros antigos, dificilmente comprando livros atuais, por falta de recursos ou repasse de recursos para isso. Moro numa capital e vejo isso há um bom tempo: não adianta procurar um lançamento, um título novo na biblioteca municipal ou estadual, que fatalmente não o encontraremos.

Nas escolas, o professor pede um livro que a biblioteca da escola não tem e o aluno vai procurar na biblioteca municipal, se ela existir, e pode não encontrá-lo lá, também, tendo que comprá-lo.

Muitas bibliotecas escolares e municipais, aumentam seus acervos com doações. Eu mesmo já doei muitos livros para iniciar ou ampliar algumas bibliotecas de escolas do interior, pois quando a gente muda de uma casa para apartamento, acaba não tendo espaço para guardar todos os livros.

Ano passado – eu já citei isso em mais de uma crônica – o MEC distribuiu livros para os alunos da quarta e quinta séries do primeiro grau das escolas públicas – cinco títulos de clássicos para cada aluno – e trinta para as escolas começarem uma biblioteca ou ampliar onde já existia uma. Isso deveria ter dado um impulso na criação de novas bibliotecas em escolas de todo o país. Com a nova Lei do Livro, que deverá vigorar logo, uma política nacional do livro que determina que “a União, os estados e os municípios passem a destinar verbas anuais para construir novas e manter as atuais bibliotecas públicas do país” vem em muito boa hora, para que nenhuma cidade fique sem um lugar apropriado onde localizar os clássicos e também novos lançamentos do mercado. E para que pais não tenham que comprar livros que não podem pagar e os filhos não acabem lendo apenas resumos das obras.



(30 de abril/2004)
CooJornal no 366


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lcamorim@viawave.com.br
Florianópolis, SC