| Luiz Carlos Amorim
A GRANDE FESTA DO LIVRO
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A 18ª Bienal do Livro de São Paulo começou no dia 15 e vai até o dia 24 de
abril. É o mega-evento do livro, ficando maior a cada nova edição. Acontecendo
intercaladamente à Bienal do Livro do Rio – num ano acontece a do Rio e no outro
a de São Paulo – ela reúne num mesmo espaço, quase tudo em termos de publicação.
Digo quase, porque as pequenas editoras e as muitas edições próprias que se
sucedem pelo país afora, não têm como entrar lá, pelo custo que envolve e porque
incharia demais a bienal. Do tamanho que ela está já é enorme, uma autêntica
cidade do livro, que demanda horas para ser vista.
Os números são incríveis: 150 mil livros distribuídos em 320 estandes, 45 mil
metros quadrados ocupados, 2.000 (dois mil) lançamentos, 600 mil visitantes
esperados e destes, 120 mil estudantes.
Segundo a Câmara Brasileira do Livro, esta bienal tentou privilegiar o público
infantil, oferecendo mais atividades para crianças e adolescentes, atraindo,
assim, ainda mais adeptos dessa faixa etária. Até porque é preciso priorizar o
acesso ao livro dos pequenos leitores em formação. Aliás, o destaque das últimas
bienais, tanto do Rio como de São Paulo, foi a crescente superioridade da venda
dos livros infanto-juvenis.
Infelizmente, cobra-se ingresso nessas bienais. Felizmente, crianças até 12 anos
não pagam e os estudantes até essa idade podem visitar o evento acompanhados dos
professores, que também não pagam.
No entanto, excetuando-se as crianças, o professor e pessoas de mais de sessenta
anos, o visitante tem de pagar ingresso. E juntando-se o preço do ingresso, mais
a taxa de estacionamento, a despesas é considerável, sem se comprar, até aí,
nenhum livro: adultos pagam oito reais, estudante paga quatro reais e o
estacionamento custa doze reais para carro e dez reais para motos.
Se a escola não levar a criança até a bienal, fica um tanto quanto caro, para a
maioria das famílias, levar os filhos até a grande festa dos livros, porque a
criança não paga, mas o pai ou a mãe – ou os dois – têm que pagar. E olhe que as
famílias vão à bienal e em grande número. Eu estive lá e vi famílias inteiras –
pai, mãe, filhos – comprando livros.
E há que se considerar o próprio adulto que não é estudante e gosta de ler. Pode
ser mais barato comprar o livro procurado em uma livraria qualquer fora da
bienal. Uma novidade que, colocada em prática, atenua bastante esse fato, é a
implantação, neste ano, da promoção Livro do Dia, segundo a qual cada expositor
colocaria alguns títulos com até trinta por cento de desconto.
Então, nem todos podem ir à bienal – em se falando, é claro, da população da
cidade onde ela é realizada – mas ainda assim o saldo é bom: um público muito
grande comparece e compra livros, apesar do custo para se entrar lá.
E o mérito da grande feira do livro não está só na oferta de toda sorte de
livros, mas nos eventos paralelos, também. Os promotores estão valorizando os
eventos culturais e muitos escritores, jornalistas e críticos literários de
renome são convidados para palestras, mesas redondas, seminários, propiciando
uma maior integração autor/leitor, fazendo com que o leitor possa conhecer o
autor da literatura que ele prefere.
Pode até ser necessário fazer com que o visitante/comprador ajude a pagar a
conta da manutenção da bienal, mas a verdade é que vemos, em feiras do livro
como as de Florianópolis e Porto Alegre que, com os “trocados” que o leitor paga
o ingresso em São Paulo ou Rio, o visitante das outras feiras compraria pelo
menos um livro.
(23 de abril/2004)
CooJornal no 365
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal
Prosa,
Poesia & Cia.
lcamorim@viawave.com.br
Florianópolis, SC