
11/11/2006
Ano 10 -
Número 502
ARQUIVO AMORIM
|
|
Luiz Carlos Amorim
A TERNURA DE EDLTRAUD
|

|
Edltraud é um nome que me
lembra uma canção do filme “A noviça Rebelde”. Edelweiss, ou alguma coisa bem
parecida. Vocês, com certeza, já a identificaram. E cada vez que ouço a música
lembro de Edltraud. Ela não é um monstro sagrado da literatura – e quando digo
isso, falo no sentido da projeção do nome, do alcance e da popularidade da obra
e do nome. Neste sentido, ela é grande aqui no estado, principalmente no norte e
nordeste catarinenses. Mas ela é uma grande pessoa, humana e sensível, grande
agitadora cultural, uma das pessoas mais dinâmica e atuante na literatura, no
teatro e em outras artes, até muito pouco tempo. Por isso gostaria de dedicar
esta crônica a ela, falando de um de seus livros.
Falo de “Ternura em Contos e Poemas”. Li de um fôlego só e voltei a ler várias
vezes. Gosto de voltar a ler a sua obra porque isso traz para perto de mim a sua
alegria, a sua vivacidade, a sua energia. E a sua ternura. Quanta ternura,
quanta sensibilidade, quanta emoção nas setenta e tantas páginas deste seu
livro. Um estilo cristalino e objetivo a mexer com o coração da gente. Uma lição
de vida. Não sei que idade tinha Edi, quando a conheci – que pena que a conheci
tão tarde! – mas a impressão que tive é que ela tinha vinte anos, apesar de
aparentar idade para ser minha avó. Foi numa Coletiva de Autógrafos em Blumenau,
quando eu e ela lançávamos nossos livros, e agradeço aos organizadores daquele
evento por terem me proporcionado o prazer de conhecer tão maravilhosa criatura,
que eu só conhecia, até então, por correspondência e pelos seus escritos, pelos
quais já a admirava.
É difícil dizer com palavras o que é o livro de Edi. Há que senti-lo, que lê-lo
para perceber a transparência das emoções que ela nos passa. “Quero deitar / a
cabeça / no teu peito / e esquecer / a vida / a morte / as dores do mundo! /
Quero deitar / a cabeça no teu peito / e esquecer / por momentos / que existo”.
E os contos de Edi? Ela me ensinou, mais uma vez , como eu mesmo já disse, que
“... não é preciso catar / as migalhas de outros tempos. / Estão aqui, no
presente / bem presentes / meus anseios e procuras...” Falo do conto “Meu
Presente no Dia das Mães”. A personagem, que tinha tudo para ser feliz, teve que
voltar, literalmente ao passado, voltar no tempo, retroceder quase uma vida,
para descobrir o valor do presente, a necessidade de valorizarmos o que temos,
mesmo que isso não seja muito.
E tantas outras ternuras encontrei em um livro pequeno e ao mesmo tempo tão
grande como o de Edltraud. Queria poder dividir , por isso a homenagem que faço
a ela. Porque literatura é isso: passar sentimentos, emoções, ternuras, de
maneira natural e transparente, como Edi sabe tão bem fazer.
(11 de novembro/2006)
CooJornal no 502
|
|