05/03/2004
Número - 358


 

Luiz Carlos Amorim

 

POESIA CARIMBADA


 

Procurar novos espaços, novos meios de chegar ao leitor, é uma constante os poetas novos, aqueles que não têm condições de publicar suas obras em livro – porque não podem arcar com uma edição própria, que o custo é alto, ou porque as editoras cada vez mais dão menos espaço para quem ainda não tem um nome feito.

Existem algumas alternativas, como os folhetos xerocados, mimeografados ou feitos com o emprego do computador e da impressora doméstica, mas há também o custo do papel, da tinta, da impressão, embora seja menor que o do livro. A impressora jato de tinta, tão popular, é muito boa para poucas impressões, mas não serve para tiragens maiores, porque os cartuchos de tinta são muito caros.

Voltamo-nos, então, para a facilidade e a rapidez do carimbo. Os poetas do Grupo Literário A ILHA adotaram o carimbo para fazer chegar seus poemas aos leitores, porque dessa maneira só se tem o custo do carimbo. O papel usado pode ser de qualquer tipo: folhas de computador – capas e final de relatórios, que se pode conseguir na empresa onde trabalhamos - ou restos de cortes, que se consegue nas gráficas e que podem ser cortados em vários tamanhos. A quantidade não tem limite, porque vai-se carimbando na medida do necessário, sempre que preciso.

Além do fato de o carimbo ser portátil – podemos carimbar em qualquer lugar e em qualquer superfície. A experiência do carimbo no Varal da Poesia foi muito interessante, pois os leitores podiam levar os poemas já carimbados em pequenas folhas de papel, ou carimbá-los no caderno, numa folha do livro, no diário, no álbum de fotos, no cartão postal, na foto, na mochila – até na pele ou na roupa, se desejado. As possibilidades são infinitas.

Parece muito simples, mas é um recurso barato que funciona.

Carimbar o poema em um pedaço de papel pode parecer uma coisa muito fugaz, mas há que se considerar que este papel pode ser guardado até dentro de uma carteira para voltar a ser lido depois. E mais, há que se considerar que, dependendo de onde o poema é carimbado, ele pode ser tão perene quanto o seu suporte, que pode ser um livro, por exemplo.



(05 de março/2004)
CooJornal no 358


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Florianópolis, SC