| Luiz Carlos Amorim
POESIA CARIMBADA
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Procurar novos espaços, novos meios de chegar ao leitor, é uma constante os
poetas novos, aqueles que não têm condições de publicar suas obras em livro –
porque não podem arcar com uma edição própria, que o custo é alto, ou porque as
editoras cada vez mais dão menos espaço para quem ainda não tem um nome feito.
Existem algumas alternativas, como os folhetos xerocados, mimeografados ou
feitos com o emprego do computador e da impressora doméstica, mas há também o
custo do papel, da tinta, da impressão, embora seja menor que o do livro. A
impressora jato de tinta, tão popular, é muito boa para poucas impressões, mas
não serve para tiragens maiores, porque os cartuchos de tinta são muito caros.
Voltamo-nos, então, para a facilidade e a rapidez do carimbo. Os poetas do Grupo
Literário A ILHA adotaram o carimbo para fazer chegar seus poemas aos leitores,
porque dessa maneira só se tem o custo do carimbo. O papel usado pode ser de
qualquer tipo: folhas de computador – capas e final de relatórios, que se pode
conseguir na empresa onde trabalhamos - ou restos de cortes, que se consegue nas
gráficas e que podem ser cortados em vários tamanhos. A quantidade não tem
limite, porque vai-se carimbando na medida do necessário, sempre que preciso.
Além do fato de o carimbo ser portátil – podemos carimbar em qualquer lugar e em
qualquer superfície. A experiência do carimbo no Varal da Poesia foi muito
interessante, pois os leitores podiam levar os poemas já carimbados em pequenas
folhas de papel, ou carimbá-los no caderno, numa folha do livro, no diário, no
álbum de fotos, no cartão postal, na foto, na mochila – até na pele ou na roupa,
se desejado. As possibilidades são infinitas.
Parece muito simples, mas é um recurso barato que funciona.
Carimbar o poema em um pedaço de papel pode parecer uma coisa muito fugaz, mas
há que se considerar que este papel pode ser guardado até dentro de uma carteira
para voltar a ser lido depois. E mais, há que se considerar que, dependendo de
onde o poema é carimbado, ele pode ser tão perene quanto o seu suporte, que pode
ser um livro, por exemplo.
(05 de março/2004)
CooJornal no 358
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal
Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Florianópolis, SC