| Luiz Carlos Amorim
A DISTÂNCIA ENTRE O LIVRO E O LEITOR
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Num desses programas que mostram costumes e tradições singulares de países
vários, vi uma prática que me chamou a atenção. Num país distante – não me
perguntem qual, pois infelizmente não lembro – chás de bebês têm um detalhezinho
diferente daquele que conhecemos e praticamos aqui no Brasil. As pessoas
convidadas que comparecem ao chá dão de presente para o bebê que está para
nascer e para os pais – adivinhem o quê? Livros! Isso mesmo: os convidados dão
livros de presente, livros que representaram muito na vida de quem os está
dando, aqueles considerados os melhores e mais importantes, e que poderão
acrescentar algo à vida da criança que está chegando. Não é fantástico?
Ao invés de levar apenas um pacote de fraldas, uma roupa, um brinquedo – que
serão consumidos rapidamente – dá-se um presente para a vida inteira.
No Brasil, um grupo de pessoas reúne livros – pede doação, recolhe-os aqui e
acolá – e junta obras de vários gêneros para sair à rua, de madrugada, e
distribuir àqueles que trabalham à noite ou moram na rua.
São idéias geniais para incentivar a leitura, começar a formação de novos
leitores e, conseqüentemente, tornar mais fácil o acesso ao conhecimento e à
viagem nas asas da fantasia e da imaginação.
Eu ousaria sonhar mais, espichar essas boas idéias, apanhando crianças nas
periferias das nossas cidades, das áreas mais carentes, onde nem as escolas têm
bibliotecas, para levá-las a conhecer e freqüentar uma verdadeira biblioteca. É
certo que seria muito melhor levar a biblioteca até elas, e já fiz isso – levei
livros meus, do meu acervo particular e também os muitos livros infantis e
infanto-juvenis e os didáticos das minhas filhas que já cresceram, - para
iniciar bibliotecas em escolas do interior, onde elas não existiam. Mas enquanto
as bibliotecas não são realidade em todos os lugares onde há crianças estudando,
há a necessidade de que alguns de nós leve essas crianças até onde existam
livros para que elas possam usufruir deles.
As idéias são boas, tanto a de doarmos os livros que temos em casa e que ninguém
abre, para iniciar uma biblioteca numa escola que não a tem, como levar as
crianças que não têm acesso aos livros até onde eles estão. O que é preciso para
melhorá-las, é colocá-las em execução, como aquele pessoal pioneiro, que de dia
pede livros a quem quiser doá-los e de madrugada os leva para aquelas pessoas
que trabalham à noite ou que vivem nas ruas.
(20 de fevereiro/2004)
CooJornal no 356
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal
Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Florianópolis, SC