13/11/2003
Número - 340

 

Luiz Carlos Amorim

 

A FORÇA DA PALAVRA


 

Conheci a Apolônia-professora, no tempo em que eu fazia o “científico” no Colégio Celso Ramos de Joinville, quando ela era diretora daquele estabelecimento. Daquela época, lembro o incentivo que ela nos dava no sentido de realizar atividades paralelas de cunho cultural no colégio, como o jornal da escola, o teatro, o festival interno da canção, etc.

O tempo passou, eu tive que mudar de cidade e de escola, e um belo dia tive a agradável surpresa de receber um livro, “Panoramas”, da poetisa Apolônia Gastaldi. Não sabia, até então, que ela escrevia. E era uma escritora das boas. Senti-me orgulhoso, até, por ver a professora, agora aposentada, produzindo. Passamos, então a ter um contato mais freqüente, ainda que por correspondência. Conheci outras produções de Apolônia e fiquei sabendo, também, que havia uma obra em prosa no prelo. Um romance. E esperei, ansioso, até que recebi o convite para o lançamento de “A Força do Berço”, em Blumenau. Mas não pude comparecer, infelizmente. Acho até que Apolônia ficara magoada pela minha ausência. Mas quando livro foi lançado em Joinville, não pude deixar de ir. Uma festa espetacular, com a Galeria Vitor Kursancew apinhada de amigos da escritora.

Comecei a ler o livro e descobri uma obra de alento, que nem de longe deixava transparecer que era a estréia da autora. Uma segurança no uso da palavra, uma força incontestável, uma maestria de escritor experiente, uma sensibilidade e uma dinâmica excepcionais na criação e condução de situações e personagens, de sentimentos e emoções.

Um estilo firme, levando o leitor a procurar ele mesmo, em meio a insinuações e mistérios, os caminhos das personagens, que parecem caminhar ao nosso redor. E a poesia, ah, a poesia... Quanta poesia na prosa de Apolônia: “A cantiga, antiga, terna e doce envolve o mar que também dança em espumarada solta, qual marola, rola e vem... vem como carícia... e molha... E novamente, a lua espia...”

“A Força do Berço” é a história da determinação do ser humano de saber sobre si mesmo, de procurar as suas origens e o seu futuro. A força de viver e de dar força para brotar a vida. De se buscar no passado o presente e a construção do amanhã. A certeza de que o amor, como ontem, como hoje, como amanhã, será sempre decisivo na história da integração do homem.

Este livro é a afirmação de Apolônia Gastaldi no cenário da literatura catarinense, que nos dá, de cara, uma obra tão densa, tão envolvente, tão firme e tão forte.

Santa Catarina ganhou uma grande romancista. Podemos esperar muito, ainda, da sua lavra. Vem mais coisa, e da boa, por aí.



(13 de novembro/2003)
CooJornal no 340


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Florianópolis, SC