| Luiz Carlos Amorim
NOSSA CORA CORALINA
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A antologia FIM DE NOITE, organizada a partir do programa radiofônico do mesmo
nome e publicada no ano passado, vai para a segunda edição. O organizador da
antologia e apresentador do programa que lhe deu origem, Sólon Schil teve,
então, uma feliz idéia: fazer, com esta nova edição da obra, uma homenagem à
poetisa Maria Ássima Fadel Dutra, uma dos muitos ouvintes que enviavam poemas ao
programa Fim de Noite, falecida em fins de 1998. Foi dividir sua poesia com
Quintana, Drummond e Coralina, no céu dos poetas, para alegria deles e tristeza
nossa.
Maria Ássima Fadel Dutra – ou simplesmente Mariana, a Vó Mariana, a poetisa mais
amada da poesia catarinense e mais atuante, também, a despeito dos seus mais de
noventa anos de idade – ela nasceu em 22 de abril de 1905. Ela era a vó Mariana
de quase todos os poetas e simpatizantes da poesia do norte catarinense.
Publicou três livros: “Caminhantes da Minha Rua”, “Sonhar e Viver” e “Folhas ao
Vento”.Participou de várias antologias e publicou seus poemas em jornais e
revistas.
Mariana era, sem nenhum favor, a nossa Cora Coralina. Em cada lugar onde a
poesia estiver presente, em cada reunião de poetas, sempre que um poema estiver
sendo recriado – lido ou recitado, sabemos que lá estará ela, como sempre esteve
nos Varais de Poesia, nos Recitais, nos lançamentos, nas palestras e encontros,
poetisa mais assídua que muito poeta que não tinha um quarto da idade dela.
Mariana foi e continuará sendo o ícone maior da poesia de Santa Catarina: ela
foi, por si só, um grande poema, talvez o mais bonito que já conhecemos.
Por tudo isso e muito mais, a idéia da homenagem “in memorian” é muito oportuna
e não podemos deixar de aplaudi-la. De pé.
E para que se possa saber um pouquinho mais de Mariana, para que aqueles que não
tiveram a felicidade de conhecê-la tenham como fazer uma idéia da beleza e da
grandiosidade da poetisa e da pessoa, transcrevo dois poemas que fiz para ela,
quando ainda podíamos desfrutar da sua companhia:
CANÇÃO PARA MARIANA
Alma branca, refletindo luz,/Como o branco dos cabelos,/Como a luz do seu sorriso/E a juventude do seu ser.
Ela é Vó Mariana,/A poesia encarnada,/Verso de amor e ternura,/Um poema não escrito.
Que idade tem Mariana?/A idade da poesia,/Da juventude da alma,/Que o tempo não modifica.
Vó Mariana é assim:/Um carinho cativante,/A poetisa brilhante,/Perene como a poesia...
MENINA
Menina de cabelo branco,/nossa Cora-Coralina,/vem e ensina pra gente/o segredo da juventude./Será a poesia que brota/tão sensível de seus dedos?/Será essa luz nos olhos/a iluminar o futuro?/Será esse teu sorriso/a distribuir ternura?/Será a vida, enfim,/a lhe render homenagem?/O que será, Mariana,/esse segredo só teu,/da eterna juventude?
Se você leu até aqui e quiser ver fotos e mais detalhes de Mariana, acesse
Http://geocities.yahoo.com.br/prosapoesiaecia/Marianaescritcat.htm
(09 de outubro/2003)
CooJornal no 335
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal
Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Florianópolis, SC