09/10/2003
Número - 335

 

 

Luiz Carlos Amorim

 

NOSSA CORA CORALINA


 

A antologia FIM DE NOITE, organizada a partir do programa radiofônico do mesmo nome e publicada no ano passado, vai para a segunda edição. O organizador da antologia e apresentador do programa que lhe deu origem, Sólon Schil teve, então, uma feliz idéia: fazer, com esta nova edição da obra, uma homenagem à poetisa Maria Ássima Fadel Dutra, uma dos muitos ouvintes que enviavam poemas ao programa Fim de Noite, falecida em fins de 1998. Foi dividir sua poesia com Quintana, Drummond e Coralina, no céu dos poetas, para alegria deles e tristeza nossa.

Maria Ássima Fadel Dutra – ou simplesmente Mariana, a Vó Mariana, a poetisa mais amada da poesia catarinense e mais atuante, também, a despeito dos seus mais de noventa anos de idade – ela nasceu em 22 de abril de 1905. Ela era a vó Mariana de quase todos os poetas e simpatizantes da poesia do norte catarinense. Publicou três livros: “Caminhantes da Minha Rua”, “Sonhar e Viver” e “Folhas ao Vento”.Participou de várias antologias e publicou seus poemas em jornais e revistas.

Mariana era, sem nenhum favor, a nossa Cora Coralina. Em cada lugar onde a poesia estiver presente, em cada reunião de poetas, sempre que um poema estiver sendo recriado – lido ou recitado, sabemos que lá estará ela, como sempre esteve nos Varais de Poesia, nos Recitais, nos lançamentos, nas palestras e encontros, poetisa mais assídua que muito poeta que não tinha um quarto da idade dela.

Mariana foi e continuará sendo o ícone maior da poesia de Santa Catarina: ela foi, por si só, um grande poema, talvez o mais bonito que já conhecemos.

Por tudo isso e muito mais, a idéia da homenagem “in memorian” é muito oportuna e não podemos deixar de aplaudi-la. De pé.

E para que se possa saber um pouquinho mais de Mariana, para que aqueles que não tiveram a felicidade de conhecê-la tenham como fazer uma idéia da beleza e da grandiosidade da poetisa e da pessoa, transcrevo dois poemas que fiz para ela, quando ainda podíamos desfrutar da sua companhia:

CANÇÃO PARA MARIANA

Alma branca, refletindo luz,/Como o branco dos cabelos,/Como a luz do seu sorriso/E a juventude do seu ser.
Ela é Vó Mariana,/A poesia encarnada,/Verso de amor e ternura,/Um poema não escrito.
Que idade tem Mariana?/A idade da poesia,/Da juventude da alma,/Que o tempo não modifica.
Vó Mariana é assim:/Um carinho cativante,/A poetisa brilhante,/Perene como a poesia...

MENINA

Menina de cabelo branco,/nossa Cora-Coralina,/vem e ensina pra gente/o segredo da juventude./Será a poesia que brota/tão sensível de seus dedos?/Será essa luz nos olhos/a iluminar o futuro?/Será esse teu sorriso/a distribuir ternura?/Será a vida, enfim,/a lhe render homenagem?/O que será, Mariana,/esse segredo só teu,/da eterna juventude?

Se você leu até aqui e quiser ver fotos e mais detalhes de Mariana, acesse Http://geocities.yahoo.com.br/prosapoesiaecia/Marianaescritcat.htm



(09 de outubro/2003)
CooJornal no 335


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Florianópolis, SC