02/10/2003
Número - 334

 

Luiz Carlos Amorim

 

LITERATURA PARA CRIANÇAS


 

Recebi, recentemente, o convite para o lançamento do livro “ A vitória de Vitória”, da escritora catarinense Urda Alice Klueger, e não pude deixar de escrever sobre ele por alguns motivos. Um deles é a originalidade e a objetividade do convite: “A Editora Hemisfério Sul comunica a todos os pais e mães, a todos os tios e tias, padrinhos e madrinhas, avós e avôs de todas as crianças, que foi lançada a nova edição, revista e ampliada, do livro "A VITÓRIA DE VITÓRIA", que conta a história de uma linda colher de prata que vai viver grandes aventuras durante uns duzentos anos, na Europa e no Brasil. Adiantamos que Vitória tem amigos, namorado, etc e que é uma colher como nunca se viu antes.” Não é inteligente e sutil? Ao mesmo tempo que chama a atenção da criança, pela ilustração da capa colorida e bem projetada, dirige a mensagem a quem está mais intimamente ligado à criança e vai levá-la ao lançamento ou a livraria para comprar o livro. Outro motivo é o livro em si. Eu já o conheço, ganhei um exemplar da primeira edição e sei da qualidade de apresentação e de conteúdo dele. O livro "A Vitória de Vitória", incursão vitoriosa de Urda Alice Klueger, pela literatura infanto-juvenil, é um livro sensível. Com a categoria de uma escritora de literatura infanto-juvenil experiente – ela sempre escreveu para adultos - Urda passa para as crianças, nessa obra, a capacidade que temos de aprender e de sentir, de ter emoções, assim como evidencia, também, a necessidade que temos de viver em sociedade. Isto tudo dando vida a uma colher de prata, personalizando-a para ensinar às crianças o respeito, a solidariedade, a amizade, a lealdade e a honestidade. Lembrei, por analogia, das tradicionais fábulas e contos de fadas, aquelas histórias que contam para as crianças do começo ao fim da infância, como Branca de Neve, Joãozinho e Maria, Lobo Mau e tantas outras, que ensinam a inveja, a mentira, a vingança, a trapaça, a deslealdade, o oportunismo, a hipocrisia, a corrupção. Ao passo que Vitória, bem diferente delas, ensina aos leitores em formação não só o gosto pela leitura, mas dá exemplos de qualidades que devemos ter para nos tornarmos adultos dignos e responsáveis. Outra coisa me chamou a atenção no livro “A Vitória de Vitória”: a ilustração dentro do livro, os desenhos nas várias páginas, não são coloridos. São apenas traços para que a própria criança que o estiver lendo exercite a sua criatividade, colorindo-os. Por isso não pude deixar de falar deste livro para crianças. Precisamos valorizar mais a literatura infantil como essa, de Urda, que se faz no Brasil, porque ela está livre da violência e das influências negativas que os contos “tradicionais” passam para as nossas crianças. Temos de parar de ler e comprar os velhos “contos de fadas” para nossas crianças e começar a dar-lhes a boa e diversificada literatura infantil dos nossos escritores.



(02 de outubro/2003)
CooJornal no 334


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Florianópolis, SC