25/09/2003
Número - 333

 

Luiz Carlos Amorim

 

O PLÁGIO NA LITERATURA

 

Há muito tempo, desde que comecei a escrever, que faço palestras em escolas ou entidades culturais e faço parte de corpos de jurados de concursos literários e seleção de textos para publicação. Já me aconteceu de encontrar textos, principalmente poemas, de autores consagrados, como Drummond, Vinícius, Cecília Meirelles e outros, assinados por alunos de primeiro ou segundo graus ou “poetas” novos. Encontrei até poemas meus, em versão integral, assinados por outra pessoa, copiados e assumidos por quem os enviou.

No caso dos estudantes, pode ser inocência, falta de esclarecimento, ingenuidade. Talvez achem que podem copiar o texto ou poema, colocando o próprio nome, como se isso indicasse apenas quem está enviando. A verdade é que isso é plágio, é crime. Não podemos assinar nada que não seja de nossa autoria. Podemos até citar, em nosso texto, trecho de autoria de outrem, desde que o coloquemos entre aspas e desde que revelemos o autor e a fonte. Copiar um texto de alguém e omitir o nome do autor já é grave, imagine apropriar-se da obra, assinando como se a tivesse criado.

Nós, professores, precisamos enfatizar aos nossos alunos de primeiro grau - e de segundo também – que não podemos nos apropriar da obra alheia, porque isso é roubo e podemos ser processados por isso e sofrer penalidades.

Não se pode, simplesmente, copiar alguma coisa de onde quer que seja, sem que copiemos também o nome do autor e, de preferência, sem deixar de citar o lugar de onde a copiamos. Seja de livro, de jornal, de revista, da internet, de qualquer lugar. E se não houver registro do nome do autor, isso não quer dizer que podemos nos apoderar do texto. Devemos colocar a fonte e citar que não havia anotação da autoria.

Sabemos que o plágio verdadeiro, proposital, de má fé grassa por aí – que há muito “escritor” que copia a obra de outrem e a passa adiante com se fosse sua. Eles precisam ser denunciados para que sejam brecados, punidos e para que essa atitude criminosa não seja, cada vez mais, banalizada. Para que não pareça natural aos nossos leitores em formação e escritores em potencial. Para que eles exerçam e valorizem a sua criatividade e respeitem a propriedade alheia.




(25 de setembro/2003)
CooJornal no 333


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Florianópolis, SC