| Luiz Carlos Amorim
O LIVRO, PERENE COMO A PALAVRA
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Ter o compromisso de escrever semanalmente para o Coojornal, espaço que
abriga colunistas diversos, que abordam variados temas, no portal RIO TOTAL,
provocou o surgimento do livro de crônicas "LIVROS, LEITORES E ESCRITORES",
em 2002. De lá para cá, muitas outras crônicas foram escritas, estão sendo
escritas e serão escritas, sempre focalizando algum ângulo do assunto que eu
considero inesgotável: o livro, seus leitores e seus autores. Há o livro
literário, o livro didático, o livro técnico, o livro esotérico, etc, e
todos eles merecem a nossa atenção. As coisas relacionadas com o livro, como
as bibliotecas, as editoras, as livrarias, as escolas, as academias, a
televisão, as feiras, as diferentes mídias para abrigar ou veicular as obras
literárias, os sebos, as "políticas culturais", os diferentes públicos a se
alcançar, tudo deve ser colocado em discussão. Surgiu, então, mais uma
coletânea de crônicas, que chamei de "Livro: A Perenidade da Palavra",
publicada pelas Edições A ILHA e lançada na última Feira do Livro de
Florianópolis, encerrada no último domingo, dia 14.
Pra que melhor que o livro para tornar a palavra perene? É claro que
existem meios digitais para armazenar quantidades imensas de texto,
atualmente, mas vai demorar muito tempo até que o livro, como o conhecemos
hoje, seja substituído na mão do leitor.
Por isso, colaborar com portais na internet como o Rio Total, jornais e
revistas é muito importante, pois propicia um incentivo à produção
constante. Em outros tempos, já mantive colunas semanais de crônicas em
jornais como Diário Catarinense, A Notícia, Jornal de Joinville, Diários
Associados (quanto tempo!), Jornal de Santa Catarina, com crônicas sobre o
cotidiano, sobre cultura, sobre música e sobre literatura. E isso me faz
lembrar da minha amiga Urda, romancista mais importante das letras
catarinenses, exímia cronista, que está publicando, há alguns meses, suas
deliciosas crônicas no Caderno Variedades do Diário, aqui em Santa Catarina.
Além de publicá-las, é claro, no Coojornal, também. Mas digo que o meu tempo
de crônicas semanais me lembra dela, porque ela mora em Blumenau e eu em
Florianópolis e então, a cada segunda-feira, quando leio a página dela,
parece que estou conversando com ela e me dá vontade de falar com ela de
fato. Já disse a ela que tenho raiva do telefone dela, porque às vezes,
depois de ler a crônica da semana ligo para lá, mas quem atende é uma
gravação. É engraçado, porque quando eu escrevia regularmente para os
jornais citados, as pessoas escreviam cartas, para mim ou para o jornal, ou
me encontravam na rua e me cumprimentavam como se me conhecessem. Lembro que
um senhor, dono da loja de aviamento fotográfico da qual eu era cliente,
adora conversar, depois de ler a coluna, sobre de onde tirei a idéia para
aquela crônica, se era baseado em fatos reais, etc. Aí entendo a vontade
dele de discutir o que havia lido, quando ligo pra Urda para falar do que
ela escreveu.
Tenho conhecido pessoas e feito novos amigos através das crônicas.
Compartilhar idéias e provocar reflexão ou discussão pode ser muito
gratificante. Vocês conhecem Irene Serra, editora do Rio Total, que abriga o
Coojornal? Pois é, é uma criatura fantástica, e é uma amizade que ganhei
através das minhas crônicas.
(18 de setembro/2003)
CooJornal no 332
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal
Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Florianópolis, SC