18/09/2003
Número - 332

 

Luiz Carlos Amorim

 

O LIVRO, PERENE COMO A PALAVRA

 

Ter o compromisso de escrever semanalmente para o Coojornal, espaço que abriga colunistas diversos, que abordam variados temas, no portal RIO TOTAL, provocou o surgimento do livro de crônicas "LIVROS, LEITORES E ESCRITORES", em 2002. De lá para cá, muitas outras crônicas foram escritas, estão sendo escritas e serão escritas, sempre focalizando algum ângulo do assunto que eu considero inesgotável: o livro, seus leitores e seus autores. Há o livro literário, o livro didático, o livro técnico, o livro esotérico, etc, e todos eles merecem a nossa atenção. As coisas relacionadas com o livro, como as bibliotecas, as editoras, as livrarias, as escolas, as academias, a televisão, as feiras, as diferentes mídias para abrigar ou veicular as obras literárias, os sebos, as "políticas culturais", os diferentes públicos a se alcançar, tudo deve ser colocado em discussão. Surgiu, então, mais uma coletânea de crônicas, que chamei de "Livro: A Perenidade da Palavra", publicada pelas Edições A ILHA e lançada na última Feira do Livro de Florianópolis, encerrada no último domingo, dia 14.

Pra que melhor que o livro para tornar a palavra perene? É claro que existem meios digitais para armazenar quantidades imensas de texto, atualmente, mas vai demorar muito tempo até que o livro, como o conhecemos hoje, seja substituído na mão do leitor.

Por isso, colaborar com portais na internet como o Rio Total, jornais e revistas é muito importante, pois propicia um incentivo à produção constante. Em outros tempos, já mantive colunas semanais de crônicas em jornais como Diário Catarinense, A Notícia, Jornal de Joinville, Diários Associados (quanto tempo!), Jornal de Santa Catarina, com crônicas sobre o cotidiano, sobre cultura, sobre música e sobre literatura. E isso me faz lembrar da minha amiga Urda, romancista mais importante das letras catarinenses, exímia cronista, que está publicando, há alguns meses, suas deliciosas crônicas no Caderno Variedades do Diário, aqui em Santa Catarina. Além de publicá-las, é claro, no Coojornal, também. Mas digo que o meu tempo de crônicas semanais me lembra dela, porque ela mora em Blumenau e eu em Florianópolis e então, a cada segunda-feira, quando leio a página dela, parece que estou conversando com ela e me dá vontade de falar com ela de fato. Já disse a ela que tenho raiva do telefone dela, porque às vezes, depois de ler a crônica da semana ligo para lá, mas quem atende é uma gravação. É engraçado, porque quando eu escrevia regularmente para os jornais citados, as pessoas escreviam cartas, para mim ou para o jornal, ou me encontravam na rua e me cumprimentavam como se me conhecessem. Lembro que um senhor, dono da loja de aviamento fotográfico da qual eu era cliente, adora conversar, depois de ler a coluna, sobre de onde tirei a idéia para aquela crônica, se era baseado em fatos reais, etc. Aí entendo a vontade dele de discutir o que havia lido, quando ligo pra Urda para falar do que ela escreveu.

Tenho conhecido pessoas e feito novos amigos através das crônicas. Compartilhar idéias e provocar reflexão ou discussão pode ser muito gratificante. Vocês conhecem Irene Serra, editora do Rio Total, que abriga o Coojornal? Pois é, é uma criatura fantástica, e é uma amizade que ganhei através das minhas crônicas.



(18 de setembro/2003)
CooJornal no 332


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Florianópolis, SC