28/08/2003
Número - 329

 

 

Luiz Carlos Amorim

 

CORAÇÃO E EMOÇÃO
 


 

 

A seleção dos poemas que constituem a antologia "A Nova Poesia do Norte Catarinense", além da revelação de novos e bons poetas da região norte e nordeste do estado, nos trouxe uma agradável surpresa: uma poetisa que, além dos poemas inéditos para participar da seleção, nos mandou seu livro pronto e acabado, já publicado. Não que não tenha havido outros casos, como os dois poetas de Corupá, que apesar da boa apresentação do livro, tiveram a infelicidade de uma má revisão.

Roseli Fossili Ricardo, poeta que promete, pela sensibilidade demonstrada no seu primeiro livro, "Sentimentos e Palavras", deve continuar poetando, porque é só escrevendo e lendo muito que podemos melhorar a nossa poesia. Como o próprio título da obra diz, é o sentimento da autora in natura, com simplicidade e autenticidade, presente em todas as páginas do livro. Visões como "as flores dos verdes campos / dançam com a melodia do vento" ou "Quero um dia, nada mais / Tentar encontrar minha paz / que dentro de mim se perdeu..." nos dão idéia do que ainda está por vir.

O segundo livro, "Sensato ou Romântico", de Fábio Tobias mostra um poeta querendo nascer. Falta-lhe, é claro, como a todo principiante, experiência, ritmo e leitura. Falta-lhe, como já dizia Cecília Meirelles, ver com olhos de poeta e aprender que o poema não é prosa dividida em várias linhas curtas. Que poesia é essência, e não apenas forma. E falta, como já disse, revisão de português.

Mas o livro recebido no envelope endereçado ao Concurso é da poetisa Marli Uhlmann, de Mafra. Trata-se de "Sempre é Meu Coração". Título diferente e forte, de um livro de apresentação impecável e de conteúdo forte e original. O livro foi publicado pela HD Livros, de Curitiba, e revela uma poetisa de fôlego, com um estilo próprio, seguro e, diria, quase maduro. Com singularidades, como onomatopéias bem colocadas, boas figuras e um ritmo natural quase freqüente, sem apelar para o uso excessivo da perigosa rima. Aliás, todos nós deveríamos saber que a rima foi usada, nos primórdios da poesia, quando não havia escrita e a rima ajudava a memorizar as obras mais facilmente, para que não fossem rapidamente esquecidas e, assim, resistissem ao tempo. A A poesia de Marli fala de lendas, de história, de felicidade, de asas, de liberdade e dos seus eus. De tudo o que se identifica com a gente, leitor. Li o livro de cabo a rabo de um fôlego só. E gostei. Uma poetisa promissora que promete muito mais para o futuro.



(28 de agosto/2003)
CooJornal no 329


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Florianópolis, SC