19/07/2003
Número - 324

 

Luiz Carlos Amorim

 

A VELHA “POLÍTICA CULTURAL”

 

 

Gosto de ler publicações literárias e culturais - tento conseguir tudo o que é possível, para saber o que está acontecendo e o que se está produzindo. Existem aqueles jornais “sérios”, como alguns suplementos com textos enormes e com vocabulário por demais rebuscado, hermético, feito para meia dúzia de “intelectuais”. Mas também há muita coisa boa, com textos objetivos, interessantes e claros. Um bom sinal é que os jornais diários, alguns dos grandes jornais por este Brasil afora, estão abrindo mais espaço para a cultura e, felizmente, para a literatura. Uma grata surpresa é o Rascunho, do Paraná, encartado no Jornal do Estado, com edição mensal de 24 páginas tamanho standard de pura literatura. Muitos artigos, entrevistas, resenhas, ensaios, crônicas, contos, poemas, sem aquele ranço de que para ser literário tem que ser ininteligível. (www.rascunho.com.br)

Dia destes, no meu garimpo pelos jornais, li um artigo sobre política cultural e tive que concordar com alguns pontos levantados pelo autor. Por exemplo: a cada novo governo que toma posse nos estados, no nosso e na maioria deles, faz-se planos e mais planos para a cultura. Os novos governantes reúnem o pessoal do meio, discute-se muito e chega-se à conclusão de que “desta vez vai funcionar”.

No primeiro semestre do nosso novo governo, em nosso estado, não foi diferente: chamaram as pessoas ligadas à cultura – produtores de literatura, artes plásticas, música, teatro, cinema, etc, para compor uma pauta a ser utilizada em um fórum em busca da tão desejada política cultural. O fórum será realizado e, como sempre, novos projetos e soluções serão redescobertos e implantados, mas nem tudo funcionará. Como por exemplo, a Lei Grando, que se destinava à compra e publicação de livros de autores catarinenses para as bibliotecas municipais e escolares de Santa Catarina. A referida lei foi promulgada há mais de dez anos e, apesar de ser lei, nunca foi cumprida. Foi criada, até, a Comissão Catarinense do Livro, que tinha a função de apreciar e selecionar os livros que seriam comprados ou publicados. E que nunca exerceu essa atribuição.

Na verdade, precisamos muito de uma política cultural que funcione, que contemple todas as modalidades de arte. As artes plásticas têm sido privilegiadas continuamente em Santa Catarina, o que não se pode dizer dos outros tipos de arte.

Mas não basta que se estude, que se discuta, que se planeje, que se faça leis que não são cumpridas. Temos, em SC, boas iniciativas que funcionaram, como o Prêmio Cruz e Sousa de Literatura, que concede os maiores prêmios em dinheiro do país, além da publicação dos livros, para autores não só catarinenses, mas também a nível nacional.

Prêmios que poderiam ser menores, talvez, para que se pudesse viabilizar outros projetos, como o cumprimento da Lei Grando, por exemplo, entre outras coisas. Uma boa política cultural não seria dividir os recursos de maneira que mais projetos culturais fossem contemplados e que um público maior fosse agraciado, beneficiado?



(19 de julho/2003)
CooJornal no 324


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Florianópolis, SC