28/06/2003
Número - 321

 

Luiz Carlos Amorim

 

O LIVRO TRADICIONAL E O LIVRO ELETRÔNICO
 

 

Com o advento da informática e a conseqüente revolução nas opções de armazenamento de texto, muito se falou na ameaça de desaparecimento do livro impresso, do livro tradicional como sempre conhecemos. Nunca acreditei nessa ameaça.

E vieram novas mídias, como o CD ROM, que podia comportar milhares de páginas de texto, além de imagens e sons. Foi a vez do e-book, o livro eletrônico, de ameaçar a estabilidade do livro comum de papel. O livro não seria mais vendido nas livrarias e sim através da Internet, em arquivos de hipertexto. Não precisaria mais ser impresso, pois seria lido na tela do computador, e assim, em versão digital, sairia mais barato. Com a opção de se poder imprimi-lo na impressora doméstica, mas então encareceria ainda mais do que se comprássemos a versão convencional, impressa, na livraria, pois a tinta, todos sabemos, sempre foi muito cara para o consumidor final.

Alguns até acreditaram no livro eletrônico e ele chegou a vender alguma coisa. Mas os olhos do ser humano não foram feitos para ler enormes textos – hipertextos – na tela brilhante do monitor do nosso computador, a irradiar luz em níveis muito altos.

A verdade é que o livro saiu dessa ameaça fortalecido, pois o computador ajudou, e muito, na produção e na edição dele. E nos fez perceber que olhos humanos não agüentam ficar muito tempo olhando para uma superfície irradiando luz.

Já existe a Internet, a produção de documentos através de softwares, os jogos, etc, tudo através do computador, exigindo a imprescindível tela do monitor.

Estou voltando a este assunto porque vi, recentemente, em bancas de jornal, uma nova revista de literatura em CD ROM, que oferece a cada edição dezenas de obras literárias, em versões integrais.

À primeira vista parece muito vantajosa a possibilidade de podermos comprar vários clássicos da literatura brasileira e universal, de uma vez só, por um preço menor do que pagaríamos um livro em qualquer livraria. Mas será que vamos conseguir ler um livro de cem, duzentas, trezentas ou mais páginas na tela de um computador? Pior, será que vamos conseguir ler as dezenas de livros que vem no CD? Tudo bem, alguns dirão que podem imprimir para ler. Pode ser feito, com certeza, mas o custo vai fazer com que prefiramos ter comprado o livro na livraria, sem contar que a apresentação não vai compensar nada, uma vez que teremos nas mãos, apenas, uma pilha enorme de folhas soltas.

Como disse, a idéia pode parecer muito boa, mas reunir quantidades enormes de textos num CD que dificilmente vamos conseguir ler, por mais que queiramos, ainda que os títulos sejam clássicos que precisamos conhecer, é um pouco utópico. Ou muito.

O e-book naufragou faz tempo, a quantidade de livros impressos aumenta a cada ano, o que evidencia o fortalecimento cada vez maior do livro impresso, tradicional, convencional, o livro que conhecemos há tanto tempo. E por mais que as novas mídias progridam, ele vai reinar por muito, muito tempo ainda.



(28 de junho/2003)
CooJornal no 321


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Florianópolis, SC