| Luiz Carlos Amorim
A ILHA: A PERENIDADE DA PALAVRA
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Um grupo de pessoas que escrevia e não tinha como escoar a sua produção, não
tinha meios de chegar até o leitor juntou-se, em 1980, no norte de Santa
Catarina – poderia ser em outro ponto qualquer do Brasil – para preencher uma
lacuna que havia na cultura da região. Não existia, na época, um grupo que
reunisse os escritores e poetas para discutir e trocar experiências, que
estudassem e descobrissem novas formas de divulgação da sua obra e da literatura
como um todo. Já existira outrora, e era premente que voltasse a existir.
Esse grupo, fundado em junho de 1980, é o Grupo Literário Literário A ILHA, que
começou em São Francisco do Sul, com pouco mais de meia dúzia de escritores, com
atividades como a reunião de trabalho, para mostrar e discutir os próprios
trabalhos, apreciar e comentar textos de autores consagrados; como a publicação
da revista Suplemento Literário A ILHA, que constituiu-se no primeiro espaço
conquistado para publicação da sua obra; como o Varal da Poesia, que foi o meio
mais rápido de colocar o leitor em contato com a poesia deles: levar a poesia
para a praça, para a rua.
A partir de 82, o grupo transferiu sua sede para Joinville, integrando dezenas
de escritores, principalmente poetas, daquela cidade e região. Lá as atividades
se ampliaram e, além da revista, das reuniões, que passaram a se chamar Oficinas
Literárias, e do Varal da Poesia, o grupo passou a fazer incursões pelas
escolas, fazendo palestras, fazendo o Recital de Poemas e agregando os novos
poetas que surgiam. Livros e antologias foram publicados, eventos literários,
como lançamentos de livros, encontros de escritores, concursos, festivais
literários a céu aberto e incursões em festas tradicionais da cidade, como a
Festa das Flores e o Festival de Dança, foram realizados.
Com o passar dos anos, a tecnologia das mídias para se veicular a obra literária
foi evoluindo e novas alternativas foram surgindo. A edição de livros e revistas
foi facilitada, podendo ser feita dentro do próprio grupo, surgindo então as
Edições A ILHA; a impressão de pequenas tiragens foi possibilitada graças ao
evento das impressoras domésticas; a exibição dos poemas em cartazes já era
possível com tipos de imprensa, melhorando em muito a apresentação e o prazer de
ler (antes, os poemas do Varal eram escritos a mão, com pincel atômico). O Varal
da Poesia transformou-se em Projeto Poesia no Shopping, ocupando um espaço com
grande fluxo de público, sem deixar de freqüentar os antigos espaços
conquistados, como as festas, escolas, lojas, bancos, praças e feiras. Uma
maneira de desencarecer o feitio do livro foi lançada, com o Projeto Pacote de
Poesia: ao invés do livro tradicional, o grupo adotou como capa um envelope ou
pacote de pão, e dentro iam as páginas interiores, em folhas soltas. O Projeto
Sanfona Literária foi criado para a publicação de pequeno volume de poemas:
folders com seis, sete, dez poemas, dependendo do tamanho, distribuídos
gratuitamente para os freqüentadores do Varal da Poesia do Projeto Poesia no
Schopping. Na mesma linha desse projeto, foi criado o Projeto Poesia Carimbada:
ao invés dos folders, a poesia impressa em qualquer superfície, impressa no
suporte que o leitor preferisse: numa folha qualquer, no caderno, na folha em
branco do livro, etc. Com resultados muito abrangentes, o Projeto Poesia na
Escola usou a informática que cada vez mais foi invadindo o dia-a-dia de todos
nós, inclusive dos estudantes: trata-se de apresentações em Power Point, para
serem usadas em sala de aula, nas disciplinas de Literatura ou Língua
Portuguesa. E um projeto pioneiro que já foi copiado em vários pontos do país é
o Projeto Poesia na Rua: poemas ou trechos de poemas em out-doors, pelas ruas
das cidades, possibilitando a todas as pessoas a sua leitura.
O Grupo A ILHA, no decorrer de sua existência, usou de várias mídias para
divulgar a sua obra: o papel impresso, o rádio, a televisão, o recital ao vivo,
o meio digital. É claro que não poderia deixar de utilizar a Internet, a grande
rede, esse veículo que faz com cheguemos a qualquer lugar do mundo. E o portal
do grupo, PROSA, POESIA & CIA , hospedado em http://planeta.terra.com.br/arte/prosapoesiaecia
é um dos veículos mais importantes, fazendo o trabalho realizado chegar a
milhares de leitores a cada mês. Lá está a revista Suplemento Literário A ILHA,
a seção Literarte, coluna literária com informação e novidades, além de
crônicas, contos e poesia atualizados mensalmente, e outras tantas seções como
Literatura Para o Vestibular, Mestres da Poesia, Autores catarinenses,
Literatura infantil, Artigos sobre literatura, Feira de Contos, as antologias
"Todos os Poetas" e "O Tema do Poema"com centenas de poemas e aumentando, Livros
on-line, Entrevistas com Escritores, Crônica da Semana, etc.
O alcance do grupo ampliou-se a nível nacional, com a participação de escritores
de todo o Estado e de outros estados da federação. O intercâmbio fez muito bem
ao grupo, que teve participação, inclusive, em publicações internacionais.
Mais recentemente, no ano de 2.000 o grupo, que começou numa ilha, voltou a
instalar sua sede em outra ilha, desta vez em Florianópolis. E aqui comemora e
vigésimo terceiro aniversário.
O projetos mais recentes são “Poesia em CD”, com poemas declamados por
comunicadores do rádio catarinense e “Poesia Trilíngüe”, livro a ser publicado
na próxima Feira do Livro com os poemas em português e também vertidos para o
inglês e o espanhol.
São vinte e três anos de atividades. Sem nenhuma vinculação com a cultura
oficial, nem patrocinadores. Apenas com a energia e a determinação dos
integrantes do grupo. E serão mais outros tantos, que o Grupo Literário A ILHA é
o mais perene da história da literatura catarinense.
(14 de junho/2003)
CooJornal no 319
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Florianópolis, SC