24/05/2003
Número - 316

 

Luiz Carlos Amorim

 

A CRIANÇA E AS FEIRAS DO LIVRO

 

Começou a Bienal do Livro, no dia 15, e acabou no sábado, dia 17, a Feira do Livro de Rua de Florianópolis. O que se vê nesta bienal, segundo a mídia, além do espaço cada vez maior e, conseqüentemente, maior oferta de títulos, é o foco direcionado mais e mais para a criança.

A cada grande feira, como a de São Paulo, a do Rio, a de Porto Alegre, a de Florianópolis, podemos constatar que crescem as opções referentes à Literatura Infantil. E a cada final de feira verifica-se que o gênero que mais vende foi o da Literatura Infanto-juvenil. Provavelmente porque os livros infantis são mais baratos. Pode ser.

A Feira do Livro de Rua de Florianópolis, que encerrou-se recentemente, além de ter quase que dobrado de tamanho, deu a impressão de privilegiar a literatura infantil e infanto-juvenil. A feira de rua ia do tradicional Mercado Municipal de Florianópolis até quase a Praça XV, da velha e majestosa figueira, com direito a ocupar uma rua transversal, e o que chamava mais a atenção, ao se passear por ela, era a quantidade e a variedade de livros para crianças. De todos os tamanhos, cores e formatos, de texturas e até mídias diferentes, avulsos, em pacotes ou pequenas coleções.Havia livros de contos e fábulas do tamanho de uma caixa de fita cassete de áudio e havia livros gigantes, do tamanho de um jornal.

E venderam, venderam muito. Eu, que não tenho mais filhos pequenos, comprei uns dez livros infantis para dar de presente. Vi crianças muito pequenas, que provavelmente nem sabiam ler ainda, com moedas e notas de um real escolhendo, elas mesmas, o livro que iam comprar. E mais, vi meninos de rua contabilizando trocados (esmolas?) para comprar o seu livro – o primeiro, talvez.

Sim, é verdade, o livro infantil vende também porque são baratos. Mas quando do resultado final das feiras, o valor da venda dos livros infantis é bastante expressivo em relação aos outros gêneros.

E se o livro infantil pode ser vendido mais barato, por que os outros não podem? Reconheço que os livros infantis têm menor número de páginas, mas em contrapartida têm muito mais cores – isto significa mais impressões, mais fotolitos, maior custo. E sabemos que, por venderem mais, as tiragens são maiores, o que faz com que o preço da unidade possa ser menor. Mas vemos, também, que outros livros, de literatura clássica e contemporânea, são publicados em grandes tiragens para serem vendidos em bancas de jornais e revistas por preços bem mais convidativos do que aqueles que são cobrados nas livrarias pelas edições “convencionais” das mesmas obras.

Isto significa que há alternativas para colocar o livro – não só o infantil – ao alcance de todos os leitores.

Destacamos o quanto as grandes feiras (e por que não as pequenas?) de livros têm nas crianças, esses leitores em potencial, o seu principal alvo, porque é por eles que devemos começar, para que se leia mais neste país: precisamos colocar livros nas mãos das crianças, desde a mais tenra idade, para que elas aprendam a gostar de ler.



(24 de maio/2003)
CooJornal no 316


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Florianópolis, SC