| Luiz Carlos Amorim
A CRIANÇA E AS FEIRAS DO LIVRO |
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Começou a Bienal do Livro, no dia 15, e acabou no sábado, dia 17, a Feira do
Livro de Rua de Florianópolis. O que se vê nesta bienal, segundo a mídia, além
do espaço cada vez maior e, conseqüentemente, maior oferta de títulos, é o foco
direcionado mais e mais para a criança.
A cada grande feira, como a de São Paulo, a do Rio, a de Porto Alegre, a de
Florianópolis, podemos constatar que crescem as opções referentes à Literatura
Infantil. E a cada final de feira verifica-se que o gênero que mais vende foi o
da Literatura Infanto-juvenil. Provavelmente porque os livros infantis são mais
baratos. Pode ser.
A Feira do Livro de Rua de Florianópolis, que encerrou-se recentemente, além de
ter quase que dobrado de tamanho, deu a impressão de privilegiar a literatura
infantil e infanto-juvenil. A feira de rua ia do tradicional Mercado Municipal
de Florianópolis até quase a Praça XV, da velha e majestosa figueira, com
direito a ocupar uma rua transversal, e o que chamava mais a atenção, ao se
passear por ela, era a quantidade e a variedade de livros para crianças. De
todos os tamanhos, cores e formatos, de texturas e até mídias diferentes,
avulsos, em pacotes ou pequenas coleções.Havia livros de contos e fábulas do
tamanho de uma caixa de fita cassete de áudio e havia livros gigantes, do
tamanho de um jornal.
E venderam, venderam muito. Eu, que não tenho mais filhos pequenos, comprei uns
dez livros infantis para dar de presente. Vi crianças muito pequenas, que
provavelmente nem sabiam ler ainda, com moedas e notas de um real escolhendo,
elas mesmas, o livro que iam comprar. E mais, vi meninos de rua contabilizando
trocados (esmolas?) para comprar o seu livro – o primeiro, talvez.
Sim, é verdade, o livro infantil vende também porque são baratos. Mas quando do
resultado final das feiras, o valor da venda dos livros infantis é bastante
expressivo em relação aos outros gêneros.
E se o livro infantil pode ser vendido mais barato, por que os outros não podem?
Reconheço que os livros infantis têm menor número de páginas, mas em
contrapartida têm muito mais cores – isto significa mais impressões, mais
fotolitos, maior custo. E sabemos que, por venderem mais, as tiragens são
maiores, o que faz com que o preço da unidade possa ser menor. Mas vemos,
também, que outros livros, de literatura clássica e contemporânea, são
publicados em grandes tiragens para serem vendidos em bancas de jornais e
revistas por preços bem mais convidativos do que aqueles que são cobrados nas
livrarias pelas edições “convencionais” das mesmas obras.
Isto significa que há alternativas para colocar o livro – não só o infantil – ao
alcance de todos os leitores.
Destacamos o quanto as grandes feiras (e por que não as pequenas?) de livros têm
nas crianças, esses leitores em potencial, o seu principal alvo, porque é por
eles que devemos começar, para que se leia mais neste país: precisamos colocar
livros nas mãos das crianças, desde a mais tenra idade, para que elas aprendam a
gostar de ler.
(24 de maio/2003)
CooJornal no 316
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Florianópolis, SC