| Luiz Carlos Amorim
A ACADEMIA E A LITERATURA INFANTIL |
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Escrevi, não muito tempo atrás, uma crônica sobre os eleitos para a Academia
Brasileira de Letras, que nem sempre foram transformados em imortais por seus
méritos literários. Fiquei feliz ao saber do resultado da última escolha, feita
no final de abril deste ano de 2003. Foi eleita a escritora Ana Maria Machado,
autora de vasta obra predominantemente infantil, primeira autora do gênero a
entrar para a ABL, e a levar com ela a palavra da criança brasileira para dentro
daquela instituição. Depois de alguns resultados tendenciosos, é bom ver a
Academia resgatando o seu propósito principal, que é reconhecer gente que
realmente atua na área literária e tem grande valor.
Já era hora de a Academia Brasileira de Letras enxergar o valor do gênero
infanto-juvenil, destinando uma de suas cadeiras a um bom autor deste gênero,
que é, comprovadamente, aquele que mais vende livros, atualmente, no Brasil.
Não que a literatura infanto-juvenil precise deste reconhecimento, ela vai muito
bem obrigado, com bons autores e um alcance quase ideal, vendendo livros cada
vez mais, em feiras, livrarias, bancas e supermercados. Mas a Academia
Brasileira de Letras está aí para destacar os nossos grandes escritores, e esse
não é mais considerado um gênero menor, como em idos tempos, pelo contrário,
reveste-se da maior importância, porque é o primeiro contato da criança com as
letras, com a leitura, com o conhecimento, com o exercício da imaginação e da
criatividade.
Dar uma cadeira, merecida, para Ana Maria Machado, na Academia, autora de mais
de cem livros, homenageando a literatura infanto-juvenil e a criança, leitor em
potencial, não é mais do que obrigação daquela casa. Até porque a própria ABL já
tinha concedido a Ana Maria o maior prêmio literário nacional, o Machado de
Assis, pelo conjunto de sua obra.
Ana Maria ganhou, também, em 2000, o prêmio Christian Andersen, considerado o
prêmio Nobel da literatura infantil mundial.
Sabemos que existem outros autores que mereceriam a deferência, como Zirado,
Ruth Rocha, Sylvia Orthof, Pedro Bandeira, Maria de Lourdes Ramos Krieger, por
quê não? Mas o fato de finalmente um autor de literatura infanto-juvenil ter sua
cadeira na ABL, representando os demais, já é alguma coisa.
Parabéns a Ana Maria Machado, á literatura infanto-juvenil e a ABL.
(02 de maio/2003)
CooJornal no 313
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Florianópolis, SC