25/04/2003
Número - 312


 

Luiz Carlos Amorim

 

A LITERATURA INFANTIL E AS FÁBULAS

 

Li, recentemente, um artigo sobre literatura infantil que, apesar de ver o tema por um ângulo apenas, teve a minha adesão, ainda que apenas pelo que foi lembrado, não pelo que deixou de ser colocado.

O enfoque do texto recaía sobre as fábulas e os contos infantis clássicos, como "Branca de Neve e os Sete Anões", "O Gato de Botas", "Joãozinho e Maria", "Barba Azul", os contos das mil e uma noites, etc. O artigo chama a atenção sobre o fato de tais histórias ensinarem às crianças a mentira, a vingança, a trapaça, a deslealdade, o oportunismo, a hipocrisia, a corrupção, a inveja e outros vícios e defeitos execráveis do ser humano que os infantes podem levar para a idade adulta, pois eles são uma esponja que absorvem tudo, um disco rígido vazio pronto a gravar qualquer informação.

Vou transcrever um dos exemplos dado pelo artigo para melhor compreensão: "A madrasta de Branca de Neve detesta a enteada, que é mais bonita do que ela. Manda, então, matá-la - isso mesmo, matá-la - por inveja. Não sendo obedecida na sua ordem, ela mesma, disfarçada em vendedora de maçãs, envenena-a."

O autor do texto, Carlos A. Vieira, defende uma revisão nessa literatura infantil, porque da maneira como é apresentada, não serve para a criança. Não são as fábulas histórias escritas para servirem de veículo de lições de moral e, conseqüentemente, ensinar algo bom e construtivo para ser utilizado na vida, para se crescer como ser humano?

O que discordei no texto foi a ausência de menção à literatura infantil brasileira, aquela produzida por Monteiro Lobato e, depois dele, por tantos outros bons autores. O articulista falou apenas da literatura infantil importada, com todas as suas más influências, quando temos no Brasil uma produção considerável e grande parte dela de boa qualidade. Verdade que existem os textos rebuscados, destoando da linguagem que se deve usar quando se escreve para criança, mas a maioria deles passa uma boa mensagem, em boas histórias com personagens originais e interessantes.

Tanto que a literatura infantil é o gênero mais vendido atualmente em nossas livrarias, em feiras e bienais e até em bancas de jornais. Isso é facilmente comprovável em pesquisas e estatísticas de livrarias, editoras e livreiros,publicadas em grandes revistas semanais.



(25 de abril/2003)
CooJornal no 312


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Joinville, SC