| Luiz Carlos Amorim
A REDESCOBERTA DA LITERATURA |
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Passada a temporada de verão, começam os grandes eventos literários por este
Brasil afora. Em Florianópolis, acontece neste mês de abril a Feira de Rua do
Livro, ampliada, com um número maior de editores e livreiros e,
conseqüentemente, com o espaço físico aumentado. No Rio, começam os preparativos
para a Bienal do Livro, que ocorre entre 15 e 25 de maio, com a presença de
grandes nomes, como Vargas Llosa, que estará promovendo seu novo romance “O
Paraíso no Outra Esquina”.
E outras feiras do livro se multiplicarão pelo país, tentando oferecer uma gama
maior de títulos, às vezes a um preço menor do que o praticado nas livrarias.
Mas o forte das feiras não é mais oferecer o livro mais barato, e sim reunir num
mesmo lugar todo tipo de opção para um público que gosta de ler.
Para um país onde ainda se lê pouco, é surpreendente constatar-se, a partir não
só das livrarias e das bancas, essas últimas oferecendo, atualmente, literatura
clássica, universal e contemporânea a preços bem acessíveis, mas principalmente
das feiras e bienais, uma tendência de crescimento na venda de livros no Brasil.
Paradoxalmente, o aumento da procura do livro pelo brasileiro dá-se justamente
quando a crise econômico-financeira aperta mais, com a inflação agora aumentando
reconhecidamante pela mídia, sem o encobrimento forçado do governo anterior, com
o poder aquisitivo da população se reduzindo inexoravelmente. É em meio a essa
roda vida, o custo de vida aumentando ainda mais, o desemprego rondando, a
guerra longe daqui influenciando na nossa vida e no nosso bolso, pois por causa
dela as bolsas caem e o dólar aumenta, que os livreiros e editores verificam que
a indústria do livro apresenta ascensão.
O brasileiro parece estar lendo mais, não apenas porque não podemos pagar por
outro tipo de lazer mais caro: há alternativas para se conseguir a leitura
desejada por um preço razoável, na promoção da feira ou bienal, na banca de
revista que oferece grandes títulos bem apresentados por menos da metade do
preço praticado na livraria e até pelos sebos, que não entram na estatística dos
livreiros e se constitui, até, no calcanhar de Aquiles deles.
E isso é um ponto importante a se frisar, quando nem todos ficam em casa vendo
televisão, esse instrumento cada vez mais alienante e desencaminhador, usando o
tempo livre para ler, adquirir conhecimento, viajar nas obras dos grandes
escritores, usufruir da cultura dos livros, um tanto cara, mas com alternativas
para superar esse obstáculo.
A coleção “Obras Primas”, que voltou às bancas, por exemplo, oferece títulos
importantíssimos da Literatura Universal em volumes primorosos e em versões
integrais por preço bem menor do que pagaríamos por qualquer outra edição das
mesmas obras nas grandes livrarias, sem contar a facilidade de encontrá-los em
qualquer banca de jornais e revistas, mesmo a da esquina da nossa casa.
Que venham portanto as feiras e as bienais, que coloquem os livros no nosso
caminho para que esbarremos com eles e nos lembremos de que precisamos deles.
(12 de abril/2003)
CooJornal no 310
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC