| Luiz Carlos Amorim
O ESCRITOR NAS ESCOLAS |
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O a obra do escritor brasileiro consagrado chega às escolas, ao estudante, senão
pelo livro, lido a partir de tarefa dada pelo professor, que ainda precisa impor
e cobrar com apresentação e interpretação do conteúdo e nota, também pelo livro
didático, que traz trechos de um e outro autor.
O livro do escritor da região, do estado nativo já se reveste de uma dificuldade
maior, no que diz respeito a se conseguir uma brecha nas aulas de literatura ou
português para abordá-lo, para apresentá-lo ao estudante. Não há, quase sempre,
espaço no programa para focalizá-lo, para trazer a sua obra ou ele próprio para
a sala de aula, divulgá-lo entre os leitores em formação da sua própria terra.
O livro do escritor catarinense deveria ter chegado às escolas do estado a
partir de 92, quando foi regulamentada a Lei Grando, que tinha o objetivo de
publicar títulos de autores catarinenses ou adquirir exemplares de livros já
editados para distribuição às bibliotecas de escolas e bibliotecas municipais de
todo o estado. Digo “tinha” o objetivo, porque isso não aconteceu até hoje,
passados dez anos, apesar da cobrança por parte da classe, através de
associações, grupos e outras entidades, que se dirigiram aos governadores do
período e à Comissão Catarinense do Livro pedindo o cumprimento da lei, sem que
nada acontecesse. Um novo governo iniciou e há que se voltar à insistência,
exigindo que se cumpra o que foi estabelecido por lei.
Com a dificuldade sempre crescente encontrada para se publicar um livro – para
não dizer impossibilidade – o cumprimento da Lei Grando viria mais do que na
hora, oferecendo novas oportunidades aos escritores de colocarem suas obras nas
mãos dos leitores.
O presidente da Comissão Catarinense do Livro, na época da publicação da lei,
comentou que “a partir dessa lei, o governo estadual tem a obrigação de editar e
de comprar livros de escritores catarinenses e distribuir às bibliotecas
municipais e escolares”.
Obrigação que ainda não foi cumprida, passada já uma década. A função dessa
Comissão, segundo a redação da própria lei, é selecionar as obras que seriam
editadas ou compradas pelo governo do estado. Por que não está fazendo a sua
função?
A lei determina que o estado edite 1.500 (mil e quinhentos) exemplares de cada
obra de autor catarinense selecionada com o superávit da Imprensa Oficial
catarinense. O autor participa com 20% (vinte por cento) do valor da obra. Quer
dizer, o autor participaria, não sairia totalmente de graça para ele.
Para a aquisição, seriam comprados 300 (trezentos) exemplares de cada título
editado para distribuição às bibliotecas.
Infelizmente, nada disso foi levado a efeito. Na época foi dito que, com a lei
então existente, dependia dos escritores fazer chegar originais e livros
publicados à Fundação Catarinense de Cultura para serem avaliados. Conversa
jogada fora. Muita coisa foi dita ao longo dos dez anos da lei e nada se fez.
Será que o novo governo dará ouvidos às reivindicações, aos pedidos de
cumprimento de um direito que foi legalmente reconhecido aos escritores da
terra? O novo governador, na sua propaganda eleitoral, comprometeu-se com o
desenvolvimento cultural do nosso estado. Esperemos que esse, pelo menos, cumpra
o que prometeu.
(05 de abril/2003)
CooJornal no 309
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC