05/04/2003
Número - 309

 

 

Luiz Carlos Amorim

 

O ESCRITOR NAS ESCOLAS

 

O a obra do escritor brasileiro consagrado chega às escolas, ao estudante, senão pelo livro, lido a partir de tarefa dada pelo professor, que ainda precisa impor e cobrar com apresentação e interpretação do conteúdo e nota, também pelo livro didático, que traz trechos de um e outro autor.

O livro do escritor da região, do estado nativo já se reveste de uma dificuldade maior, no que diz respeito a se conseguir uma brecha nas aulas de literatura ou português para abordá-lo, para apresentá-lo ao estudante. Não há, quase sempre, espaço no programa para focalizá-lo, para trazer a sua obra ou ele próprio para a sala de aula, divulgá-lo entre os leitores em formação da sua própria terra.

O livro do escritor catarinense deveria ter chegado às escolas do estado a partir de 92, quando foi regulamentada a Lei Grando, que tinha o objetivo de publicar títulos de autores catarinenses ou adquirir exemplares de livros já editados para distribuição às bibliotecas de escolas e bibliotecas municipais de todo o estado. Digo “tinha” o objetivo, porque isso não aconteceu até hoje, passados dez anos, apesar da cobrança por parte da classe, através de associações, grupos e outras entidades, que se dirigiram aos governadores do período e à Comissão Catarinense do Livro pedindo o cumprimento da lei, sem que nada acontecesse. Um novo governo iniciou e há que se voltar à insistência, exigindo que se cumpra o que foi estabelecido por lei.

Com a dificuldade sempre crescente encontrada para se publicar um livro – para não dizer impossibilidade – o cumprimento da Lei Grando viria mais do que na hora, oferecendo novas oportunidades aos escritores de colocarem suas obras nas mãos dos leitores.

O presidente da Comissão Catarinense do Livro, na época da publicação da lei, comentou que “a partir dessa lei, o governo estadual tem a obrigação de editar e de comprar livros de escritores catarinenses e distribuir às bibliotecas municipais e escolares”.

Obrigação que ainda não foi cumprida, passada já uma década. A função dessa Comissão, segundo a redação da própria lei, é selecionar as obras que seriam editadas ou compradas pelo governo do estado. Por que não está fazendo a sua função?

A lei determina que o estado edite 1.500 (mil e quinhentos) exemplares de cada obra de autor catarinense selecionada com o superávit da Imprensa Oficial catarinense. O autor participa com 20% (vinte por cento) do valor da obra. Quer dizer, o autor participaria, não sairia totalmente de graça para ele.

Para a aquisição, seriam comprados 300 (trezentos) exemplares de cada título editado para distribuição às bibliotecas.

Infelizmente, nada disso foi levado a efeito. Na época foi dito que, com a lei então existente, dependia dos escritores fazer chegar originais e livros publicados à Fundação Catarinense de Cultura para serem avaliados. Conversa jogada fora. Muita coisa foi dita ao longo dos dez anos da lei e nada se fez.

Será que o novo governo dará ouvidos às reivindicações, aos pedidos de cumprimento de um direito que foi legalmente reconhecido aos escritores da terra? O novo governador, na sua propaganda eleitoral, comprometeu-se com o desenvolvimento cultural do nosso estado. Esperemos que esse, pelo menos, cumpra o que prometeu.


(05 de abril/2003)
CooJornal no 309


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Joinville, SC