14/12/2002
Número - 290


 

Luiz Carlos Amorim

 

O ESCRITOR E O PRIMEIRO LIVRO

 

O anseio maior de todo escritor, toda pessoa que escreve é, sem dúvida, publicar a sua obra. Ter um texto publicado num jornal, numa revista, num site na Internet é um ótimo começo, o que não substitui a emoção e a realização de publicar o primeiro livro.

Não é, absolutamente, uma coisa fácil. As editoras não investem, não apostam, não arriscam em autores novos, com raríssimas exceções. É preciso que o autor tenha um nome, seja conhecido e reconhecido, para que uma editora banque a edição de um primeiro livro. Mas como ter um nome que por si só venda livros, se não é dada ao novo escritor a possibilidade de chegar até o público leitor?

Os espaços para a literatura nas revistas e nos jornais são cada vez mais escassos. As publicações alternativas de literatura vão diminuindo a cada ano, devido ao custo de impressão e produção gráfica cada vez mais altos, migrando para a internet, este sim, um espaço extremamente democrático. Mas a internet não substitui e não substituirá jamais o livro impresso, tradicional, como o conhecemos hoje e de longa data.

Então, na grande maioria dos casos, se quisermos ver nosso livro publicado, temos que pagar por isso. E a confecção de um livro tem um preço bastante alto, como já mencionamos. Para a maioria dos escritores novos pagar edição do próprio livro é inviável. Sem contar que, se conseguirmos reunir o montante para pagar e ter o livro impresso, pronto, esbarramos no próximo obstáculo que é a distribuição do mesmo. As livrarias não aceitam os nossos livros em edição própria nem em consignação, pois não temos nota fiscal, eles não tem espaço para colocá-los, etc. E se alguma delas aceitar, o livro fica escondido em algum canto e acaba não vendendo. Teremos que colocá-lo debaixo do braço e sair à rua para oferecê-lo nós mesmo, de porta em porta, de leitor a leitor.

Mesmo assim, a impressão que dá, pelo número de edições próprias que este colunista recebe normalmente, é que se publica uma quantidade razoável de livros às expensas do próprio autor ou com a consecução de patrocínio, um recurso que já foi muito usado no passado, mas que hoje em dia já não é comum.

No que diz respeito à qualidade literária dessas obras, não há exatamente um critério de seleção para publicação: se o autor conseguir os recursos, com certeza concretizará o livro idealizado. Deveria publicá-lo?

O projeto de um possível livro deveria, com certeza, ser submetido à apreciação de vários leitores, inclusive de professores de português, para que se tivesse alguma avaliação ou mesmo opiniões críticas, que seriam aproveitadas como um parâmetro de como a obra poderia ser recebida, seus pontos fortes, pontos nos quais deveria ser melhorada, o que deveria ser refeito, etc.

Aliás, todos nós precisamos fazer isso: ter algum senso crítico quanto a nossa própria obra e saber aceitar as críticas de terceiros com serenidade e humildade, porque por mais ácidas que elas possam ser, podem nos ensinar alguma coisa, podem nos dar algum subsídio para melhorar.

Um escritor, o bom escritor, nunca se julga completo, pronto, maduro o suficiente: há sempre mais para aprender. E é essa busca da perfeição, que o escritor sabe que não alcançará, mas que não pode abandonar, sob pena de estagnar, que o faz crescer.


(14 de dezembro/ 2002)
CooJornal no 290


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Joinville, SC