| Luiz Carlos Amorim
O ESCRITOR E O PRIMEIRO LIVRO |
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O anseio maior de todo escritor, toda pessoa que escreve é, sem dúvida, publicar
a sua obra. Ter um texto publicado num jornal, numa revista, num site na
Internet é um ótimo começo, o que não substitui a emoção e a realização de
publicar o primeiro livro.
Não é, absolutamente, uma coisa fácil. As editoras não investem, não apostam,
não arriscam em autores novos, com raríssimas exceções. É preciso que o autor
tenha um nome, seja conhecido e reconhecido, para que uma editora banque a
edição de um primeiro livro. Mas como ter um nome que por si só venda livros, se
não é dada ao novo escritor a possibilidade de chegar até o público leitor?
Os espaços para a literatura nas revistas e nos jornais são cada vez mais
escassos. As publicações alternativas de literatura vão diminuindo a cada ano,
devido ao custo de impressão e produção gráfica cada vez mais altos, migrando
para a internet, este sim, um espaço extremamente democrático. Mas a internet
não substitui e não substituirá jamais o livro impresso, tradicional, como o
conhecemos hoje e de longa data.
Então, na grande maioria dos casos, se quisermos ver nosso livro publicado,
temos que pagar por isso. E a confecção de um livro tem um preço bastante alto,
como já mencionamos. Para a maioria dos escritores novos pagar edição do próprio
livro é inviável. Sem contar que, se conseguirmos reunir o montante para pagar e
ter o livro impresso, pronto, esbarramos no próximo obstáculo que é a
distribuição do mesmo. As livrarias não aceitam os nossos livros em edição
própria nem em consignação, pois não temos nota fiscal, eles não tem espaço para
colocá-los, etc. E se alguma delas aceitar, o livro fica escondido em algum
canto e acaba não vendendo. Teremos que colocá-lo debaixo do braço e sair à rua
para oferecê-lo nós mesmo, de porta em porta, de leitor a leitor.
Mesmo assim, a impressão que dá, pelo número de edições próprias que este
colunista recebe normalmente, é que se publica uma quantidade razoável de livros
às expensas do próprio autor ou com a consecução de patrocínio, um recurso que
já foi muito usado no passado, mas que hoje em dia já não é comum.
No que diz respeito à qualidade literária dessas obras, não há exatamente um
critério de seleção para publicação: se o autor conseguir os recursos, com
certeza concretizará o livro idealizado. Deveria publicá-lo?
O projeto de um possível livro deveria, com certeza, ser submetido à apreciação
de vários leitores, inclusive de professores de português, para que se tivesse
alguma avaliação ou mesmo opiniões críticas, que seriam aproveitadas como um
parâmetro de como a obra poderia ser recebida, seus pontos fortes, pontos nos
quais deveria ser melhorada, o que deveria ser refeito, etc.
Aliás, todos nós precisamos fazer isso: ter algum senso crítico quanto a nossa
própria obra e saber aceitar as críticas de terceiros com serenidade e
humildade, porque por mais ácidas que elas possam ser, podem nos ensinar alguma
coisa, podem nos dar algum subsídio para melhorar.
Um escritor, o bom escritor, nunca se julga completo, pronto, maduro o
suficiente: há sempre mais para aprender. E é essa busca da perfeição, que o
escritor sabe que não alcançará, mas que não pode abandonar, sob pena de
estagnar, que o faz crescer.
(14 de dezembro/ 2002)
CooJornal no 290
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta, Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC