| Luiz Carlos Amorim
A FONTE DA JUVENTUDE |
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Não é requisito obrigatório que sejamos jovens para sermos poetas. Juventude é
um estado de espírito. Um bom exemplo disso é Aracely Braz que, depois de
dedicar quase uma vida ao magistério, voltou-se para a poesia e deu a público
sua primeira obra solo, o livro de poemas “Pedaços de Mim”.
Que idade teria Aracely? Quinze, vinte, trinta, ou sessenta? Não importa, pois
sua poesia é jovem, tem a sensibilidade e o lirismo dos quinze e a sabedoria e
vivência dos sessenta. Aracely conserva, dentro de seu coração de poeta, a
emoção de um primeiro amor, aos quinze: “Naquela rua / a mão eu te estendia /
pra contigo passear...”
E, em contrapartida, tem a sensatez dos sessenta, ao convencer-se de que sempre,
a despeito de qualquer idade ou sabedoria, temos mais a aprender: “Vem, avance
alguns passinhos / numa troca de carinhos / eu a ajudá-lo / você a me ensinar. /
Quero ver, sentir, viver / a ingenuidade desse sorriso / que perdi no compasso
do tempo.”
A vida não é um fardo a pesar nos ombros de Aracely: ela é um privilégio e por
isso a poesia é um canto à paz, à natureza, ao amor, à fraternidade. É um canto
à vida, essa mesma vida que Aracely decidiu viver em toda a sua plenitude.
A beleza da poesia de Aracely está na simplicidade, na objetividade, na
sinceridade, não se importando com técnicas poéticas revolucionárias e
complicadas, que prejudicariam a transmissão de seu sentimento e de sua emoção
ao leitor. Ela fala simplesmente ao coração.
Coração que tem muito a dizer, sempre. E veio o segundo volume de poemas, que
ela chamou de “Eureka”. Qual teria sido o motivo que levou Aracely a batizar seu
segundo livro com este nome? Diria eu que deve ter sido o que ela exclamou,
quando descobriu o porquê dessa juventude perene, tão constante, que a acompanha
e a faz a poeta mais atuante da região, essa juventude que a transforma nessa
fonte inesgotável de poesia, que a faz a própria fonte da juventude. E essa
jovem que faz poesia, que a canta, que leva a poesia com ela para onde quer que
vá, essa jovem que até se confunde com a poesia tem, como já dissemos, apenas
sessenta e poucos anos. E, com essa idade precoce, Aracely participa de feiras
de arte, de reuniões, de recitais, de palestras, de encontros, de concursos,
etc., caracterizando-se, sem a menor sombra de dúvida, na divulgadora e difusora
mais eficiente da poesia.
A matéria-prima do poeta é, em primeiro lugar, a emoção. E essa matéria-prima
Aracely tem de sobra, aliada a essa juventude crônica e abençoada que lhe é
intrínseca.
E a natureza criadora da poeta, sem pressa, foi compondo, ao sabor da
inspiração, este novo livro, como conseqüência natural da sua evolução. O
romantismo é a tônica desta nova seleção de poemas, deixando transparecer,
também e como sempre, o social, a fraternidade a preocupação com a natureza. E
toda a sua juventude, juventude eterna e perene como a sua poesia. Como em
“Viagem”: “...Viajei buscando asas, / cores, canções... / relutei momentos de
saudade, / de melancolia. / Bebi o néctar da paixão, / mergulhei no desejo do
perdão, / plantei a semente do amor... / Mastiguei cocos, apalpei musgos, / tão
verdes como minha esperança. / E na magia d´um mundonovo, / tornei-me inimiga
das horas...”
Ou como em “Fim de Noite”: “... quando o poeta, / mais um transeunte da
caminhada / eloqüente em sua doce magia, / pincela a natureza com filetes de
poesia...”.
(16 de novembro/ 2002)
CooJornal no 286
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC