| Luiz Carlos Amorim
PARA FICAR FORA DAS ANTOLOGIAS MILIONÁRIAS |

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Escrevi, há pouco tempo, uma crônica sobre as antologias “milionárias”, aquelas
coletâneas organizadas por quem quer arrancar dinheiro de escritores novos que
não têm condições de custear a publicação do próprio livro, tampouco editora e
precisam de um espaço para veicular sua obra.
Verdade que existem as antologias honestas, norteadas pelo objetivo principal
que é divulgar e revelar novos valores literários.
Uma vez publicada minha crônica sobre o tema, em sites, revistas e jornais,
muita gente contatou comigo, identificando-se com a denúncia, reconhecendo ter
sido vítima da ganância e desonestidade de certos “editores”.
O sistema “se pagar, entra”, adotado por essas antologias que grassaram nos anos
setenta e oitenta, perduraram nos anos noventa e ainda hoje resistem, resulta em
coletâneas de baixa qualidade literária, prejudicando alguns bons escritores que
se perdem no meio de tanta coisa ruim.
Decidi, então, voltar ao assunto, para iniciar um debate sobre o que fazer para
driblarmos esse estado lastimável de fraude editorial. Faço parte de um grupo
literário – e já fiz parte de vários, ao longo da minha caminhada – e aprendi,
por experiência, que a melhor solução, neste caso, é unir interesses e forças
para consecução do objetivo.
Neste caso, o objetivo é a publicação da obra daqueles escritores, novos ou não,
que não conseguem editora para publicar o seu livro, nem espaço na mídia para
mostrar o seu trabalho, nem dinheiro para bancar uma edição própria.
Uma boa alternativa – que tem funcionado bastante bem – é a reunião em grupos,
sociedades ou associações, para estudo, troca de idéias e experiências e
formação de cooperativas para a edição da sua coletânea ou antologia. É bom
esclarecer que o estudo da própria obra (e de autores consagrados) é importante,
na reunião de escritores, seja de que gênero for, para que a seleção dos textos
resulte em uma antologia com um mínimo de qualidade. Importante, também, que
haja professores de português envolvidos, para uma boa revisão.
O “cooperativismo” funciona como o próprio significado da palavra sugere: os
escritores associados, cujos trabalhos comporão a antologia, dividem os custos e
o resultado final, ou seja: o livro acabado, em partes proporcionais. O valor da
confecção do livro é dividido pelo número de páginas efetivamente ocupado por
obra literária, e assim teremos o preço por página. O número de exemplares da
edição é dividido também pelo número de páginas “úteis” e teremos a quantidade
de exemplares que cabe a cada página publicada.
Resumindo: os escritores de um grupo cooperativado pagam por um determinado
número de páginas que abrigarão a sua obra dentro da antologia que eles mesmos
organizaram efetivaram e recebem, conseqüentemente, a quantidade de exemplares
correspondente ao número de páginas que adquiriram.
Desta maneira, a distribuição e venda fica por conta dos próprios escritores,
mas como o número de exemplares que cabe a cada escritor pode não ser muito
grande, conforme o número de participante, não constitui problema mais grave. O
problema da distribuição e da venda fica maior quando se trata de um livro solo,
quando a edição toda fica a cargo do autor do livro, que é um só. A venda do
livro (ou antologia) pode começar numa possível noite de autógrafos para
lançamento da obra, evento que também teria o custo dividido entre os autores
participantes.
Não muito viável nos dias atuais, o patrocínio é de ajuda inestimável para quem
está pagando do próprio bolso a edição do tão sonhado livro. Algumas empresas já
colaboraram mais, em outros tempos, com este tipo de investimento. Mas ainda
pode haver alguma que o faça, só temos que sair a cata para encontrá-la. É
preciso ter tempo, disposição e perseverança. Mas pode-se conseguir resultados.
Não podemos esperar que apenas um patrocinador cubra o custo total de um livro,
mas podemos tentar conseguir um pouco de vários e, em troca, citá-los nos
convites de lançamento e no próprio lançamento da obra, fazer agradecimento ou
chamar atenção para o apoio cultural em uma das contracapas do livro, etc.
Essas são algumas alternativas que já foram testadas e dão resultado. Uma outra
é o concurso literário, bem mais difícil. Mas que devemos tentar. O importante é
chegar até o leitor.
(01 de novembro/ 2002)
CooJornal no 284
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC