| Luiz Carlos Amorim
A LITERATURA E A TELEVISÃO |

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A televisão, todos nós sabemos, poderia nos oferecer mais em qualidade, bom
gosto e criatividade. A informação é, talvez, a função que esse veículo cumpre
com mais eficiência, se considerarmos a tv a cabo. A função de divertir ela
cumpre, se não formos muito exigentes: os filmes são repetidos incansavelmente,
os "reality shows" grassam impiedosamente, inviabilizando muitos horários e as
novelas, ah, as novelas...
A cultura, não raro, é colocada em segundo plano: as nossas raízes, as nossas
tradições, o nosso folclore, as nossas letras, recebem pouco espaço e atenção ou
quase nada. É verdade que já temos canais como Futura, senac, cultura, cultura e
arte, mas quase todos eles estão na rede a cabo ou satélite, apenas a
TVE/Cultura está disponível na tv aberta.
A música tem o seu lugar, com canais como MTV e outro canal de música sertaneja,
além de programas em outros canais. O esporte leva uma boa fatia de todo o
espaço, com canais específicos e farta programação em quase todos os canais
abertos ou de notícias.
A educação está começando a ser bem atendida: além dos telecursos, conta com
canais como TV Escola, TV Senac, Futura, que deveriam ter sinal aberto, para
cumprirem a contento sua função de ajudar na educação, principalmente dos menos
favorecidos.
A Literatura... Bem, a literatura tem muito pouco. Assim como nos jornais e nas
revistas os espaços dedicados à literatura vão minguando cada vez mais, por
falta de patrocinadores e de boa vontade, na televisão também os programas que
temos podem ser contados nos dedos. De uma mão só: temos o "Literatura", na TV
Senac, "Escritor por Ele Mesmo", na Cultura e Arte, e um que outro que aborda o
tema periodicamente, como o "Sem Censura", "Musikaos", "Panorama". Já tivemos
bons programas, como o "Homens e Livros", na extinta Manchete, quando os espaços
eram menores. Era meia hora bem aproveitada, com entrevistas de expoentes da
literatura, como Raquel de Queiroz, Homero Homem, Jorge Amado e tantos outros,
além de notícias sobre livros, poesia e informação cultural. Pena que não
resistiu ao tempo e não foi copiado. O formato dos programas, hoje, são
diferentes e às vezes tornam-se cansativos com entrevistas que não terminam
nunca e que deveriam ser mais rápidas.
O escritor e o leitor precisa de programas como esse. O escritor, para mostrar o
seu trabalho. E o leitor para saber sobre o escritor, sobre a sua obra, ouvir
referências sobre os livros que poderá vir a ler, saber como e porque foram
escritos. Quem sabe, se tivéssemos mais programas que falassem sobre livros, se
o brasileiro ouvisse falar mais sobre livros, se a televisão, esse veículo tão
poderoso levasse o livro até a porta do leitor e o mostrasse, comentasse,
recomendasse, sugerisse, não aprenderíamos a conviver com ele, não aprenderíamos
a ler mais?
(05 de outubro/ 2002)
CooJornal no 280
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC