14/09/2002
Número - 276

- A capital latino-americana da dança
- A crítica literária
- A difusão da poesia
- A literatura de E. Athanázio
- A literatura e a escola
- A literatura e o vestibular
- A poesia do mar
- A solidão e os livros
- A valorização da obra literária regional
- A velha figueira de Florianópolis e a praça
- Antologias e os novos escritores
- Arte e literatura nas bancas
- As editoras e o escritor novo
- As flores de jacatirão
- "As vinhas da ira" - A literatura no cinema
- Cores de inverno
- Corupá, Cidade das Cachoeiras
- Cruz e Souza ultrapassando fronteiras
- De repente, a poesia
- Delfino, expoente da poeia lírica brasileira
- Flores de inverno
- Literatura e verdade
- Literatura em cena
- Livrarias e bibliotecas
- Livro de presente
- Livro, leitura e mercado editorial
- Livros: distribuição e venda
- Livros e apostilas
- O conto e a literatura
- O escritor e o Estado
- O livro, a Bienal e as Feiras
- O livro e a Bienal
- O livro e a Internet
- O preço do livro
- O som da poesia
- Os best-sellers
- Poesia, alimento da alma
- Poesia em grupo
- Poesia na rua
- Poesia na tarde
- Tempo de esperança
- Um livro sobre nada
- Urda e o romance na literatura catarinense

 

Luiz Carlos Amorim

 

LIVROS ITINERANTES

 

Um projeto singular, arrojado e ousado, foi planejado e colocado em prática por um poeta popular, que fala do cotidiano das pessoas de maneira simples e singela, direta e objetiva.

Falo de Savagé, ou Miguelito Savagé, que começou a mostrar seus poemas rápidos e certeiros em Joinville, ao entrar para o Grupo Literário A ILHA, nos anos 80.

Depois do primeiro livro publicado, “Balconista”, em 87, ele saiu de Joinville e foi levar a sua poesia a outras cidades. Fez letra de música e produziu disco, foi locutor de rádio e mostrou sua poesia por vários pontos do Estado.

Em meados dos anos oitenta, depois de ter passado por várias cidades e ter fixado sua sede em Tubarão, ele voltou a Joinville com dois novos livros – AO ESTUDANTE COM CARINHO I e AO ESTUDANTE COM CARINHO II.

Junto, Savagé trouxe também o Projeto LIVRO DE ALUGUEL, que consistia em visitar as escolas, apresentar sua obra, contando sua história, declamando e exibindo um varal com alguns dos poemas dos livros e emprestar, mediante uma taxa, os livros aos interessados. Os alunos ficavam com os livros alugados por três dias ou um final de semana, devolvendo-os depois ao autor ou adquirindo-os.

A iniciativa pioneira do poeta deu certo. E o mérito não foi só o fato de abrir espaço maior para a poesia nas escolas de primeiro grau, de levar a poesia para a escola. O poeta passou a se dedicar integralmente ao projeto, ele passou a viver da poesia.

As edições de seus livros se sucederam e hoje o projeto está maior, com milhares de exemplares de livros circulando pelas escolas, incutindo os gosto pela leitura nos alunos de primeiro grau que são leitores em formação.

Um exemplo da poesia simples mas eficaz de Savagé, falando verdades e que por isso mesmo se identifica com o público leitor:

CARAS-DE-PAU
(Savagé)

Os políticos são eleitos / Pra trabalhar para o povo. /  No entanto, é o povo / Que passa o tempo todo / Trabalhando para eles!!!



(14 de setembro/ 2002)
CooJornal no 276


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Joinville, SC