07/09/2002
Número - 275


 

Luiz Carlos Amorim

 

A VALORIZAÇÃO DA OBRA LITERÁRIA REGIONAL

 

A lei que regula a compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais em todo o Estado, não vem sendo cumprida desde a sua homologação, em 27 de julho de 1992. Apesar de cobrado sobre o descaso à lei desde que ela foi instituída, o governo apenas vai empurrando a solução para mais tarde, evidenciando a falta de vontade de cumprir o que ele mesmo estipulou.

A União Brasileira de Escritores, enquanto presidida pelo escritor Enéas Athanázio, questionou formalmente o Estado, mas a desculpa, a mesma de sempre, foi de que não havia verba para tal investimento. E a promessa de que no próximo orçamento a lei seria lembrada ficou no ar. Este ano os governantes mudarão e teremos que voltar a cobrar. E isso não é novidade nem aqui no nosso estado, nem em muitos outros.

Não é de hoje que a classe tenta apoio oficial à literatura regional. Várias cartas foram tiradas em congressos e encontros de escritores aqui em Santa Catarina, por exemplo, que se sucederam ano após ano, enumerando reinvindicações que não foram atendidas e pouco ou nada mudou.

Sempre em defesa do princípio da liberdade de expressão, sem qualquer forma de restrição, para que não haja atrelamento, para que não se cobre “literatura” de encomenda, em troca de algum benefício, pediu-se e pede-se a valorização da obra literária; o estudo da literatura local no primeiro e segundo graus, paralelo ao estudo da literatura brasileira, estimulando a integração autor/escola e escritor/leitor, com a presença dos produtores literários nas salas de aula para o debate e divulgação de suas obras; no caso de nosso estado, a ação da Comissão Catarinense do Livro, no sentido de viabilizar a lei 8759, comprando, publicando e distribuindo a obra de autores catarinenses.

E quando se diz autores catarinenses, não se quer dizer este ou aquele figurão, político ou intelectualóide de plantão, integrante da “panelinha” de sempre, que têm seus livros publicados apenas para engordar currículos – livros quase sempre sem nenhum valor literário, que acabam encalhados em porões de repartições públicas.

Falamos daqueles escritores que estão atuando, produzindo, publicando seus livros às vezes às próprias custas, promovendo e agitando a cultura e as letras, projetando o estado por todo o Brasil, ao colaborar com jornais, revistas e sites por todo o país e até no exterior.


(07 de setembro/ 2002)
CooJornal no 275


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Joinville, SC