17/08/2002
Número - 272

 

 

Luiz Carlos Amorim

 

LITERATURA em CENA

 

A adaptação para o teatro da vida e poesia de Cruz e Sousa, por um grupo de atores de São José, recentemente, coincidiu com uma matéria que li, num suplemento de um grande jornal sobre vestibulares, acerca de alternativas para se conhecer as obras literárias escolhidas para o certame deste ano, ainda que elas não substituam a leitura dos livros.

Há alguns dos livros escolhidos que pode-se ver no cinema, como “O Primo Basílio”, baseado na obra de Eça de Queirós; “A Hora da Estrela”, da obra de Clarice Lispector; “Macunaíma”, baseado na obra de Mário de Andrade; “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, da obra de Machado de Assis; “Outras Estórias”, baseado em alguns contos de “Primeiras Histórias”, de Guimarães Rosa, e outros. Há peças como “Memórias de um Sargento de Milícias”, adaptação da obra de Manuel Antonio de Almeida, “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”, adaptadas dos romances de Machado de Assis, “Libertinagem”, da obra de Manuel Bandeira, “A Hora da Estrela”, da obra de Clarice Lispector, em cartaz em São Paulo, por exemplo. Assim como há outras montagens em outros estados.

Em Joinville, por exemplo, a encenação de textos selecionados para o vestibular chamou-se Literatura Viva. Tive o prazer de assistir, tão impressionado quanto Moacir Scliar, sentado ao meu lado, à noite de estréia do espetáculo "Literatura Viva", que levou ao palco, dramatizando-as, transportando-as para a linguagem do teatro, as obras literárias que os vestibulandos deviam conhecer para o Vestibular da Acafe e da UFSC, inclusive a dele.

Espetáculo dirigido aos vestibulandos, mas que o público em geral poderia ver. Todos os apreciadores do bom teatro e da boa literatura ficariam encantados, tanto pelos autores e suas respectivas obras escolhidos, como pela performance dos atores e a montagem dos professores/diretores, a ótica de uma feliz releitura.

Obras de Graciliano Ramos, Machado de Assis, Mário de Andrade, Manoel Antonio de Almeida, Rubem Fonseca, Luís Delfino, Manuel Bandeira, Cruz e Sousa e Moacir Scliar que, como já disse, estava presente, foram encenadas e/ou recitadas e, além de ajudar os vestibulandos, que ganharam motivação para conhecer mais a fundo a obra dos autores apresentados. Além disso, há a grande contribuição no sentido de se lançar mão de mais uma alternativa para a popularização da literatura.

Em Florianópolis, chamou-se "Literatura in Cena". É, basicamente, a mesma coisa feita em Joinville, com o mesmo objetivo: facilitar o acesso às obras literárias exigidas para o vestibular e incentivar a sua leitura. Só que na capital, os criadores do espetáculo preferiram não focalizar todos os autores selecionados para o certame. Foram adaptadas três obras apenas, incluindo Cruz e Sousa, apresentados por dez atores profissionais em cena e quatro músicos.

Em tantas outras cidades, de outros estados, tem-se adaptado romances, contos, poemas e crônicas para serem levados ao palco, de autores indicados para os vestibulares, tentando despertar, assim, a curiosidade dos vestibulandos e do público em geral para encaminhar à leitura dos textos originais.

O teatro, o cinema, os resumos, frise-se, mais uma vez e sempre, servem apenas para que se vá procurar nos livros as versões integrais, pois só lendo a obra original é que podemos conhecer características como estilo e linguagem do autor.


(17 de agosto/ 2002)
CooJornal no 272


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Joinville, SC