| Luiz Carlos Amorim
LITERATURA em CENA |

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A adaptação para o teatro da vida e poesia de Cruz e Sousa, por um grupo de
atores de São José, recentemente, coincidiu com uma matéria que li, num
suplemento de um grande jornal sobre vestibulares, acerca de alternativas para
se conhecer as obras literárias escolhidas para o certame deste ano, ainda que
elas não substituam a leitura dos livros.
Há alguns dos livros escolhidos que
pode-se ver no cinema, como “O Primo Basílio”, baseado na obra de Eça de
Queirós; “A Hora da Estrela”, da obra de Clarice Lispector; “Macunaíma”, baseado
na obra de Mário de Andrade; “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, da obra de
Machado de Assis; “Outras Estórias”, baseado em alguns contos de “Primeiras
Histórias”, de Guimarães Rosa, e outros. Há peças como “Memórias de um Sargento
de Milícias”, adaptação da obra de Manuel Antonio de Almeida, “Memórias Póstumas
de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”, adaptadas dos romances de Machado de Assis,
“Libertinagem”, da obra de Manuel Bandeira, “A Hora da Estrela”, da obra de
Clarice Lispector, em cartaz em São Paulo, por exemplo. Assim como há outras
montagens em outros estados.
Em Joinville, por exemplo, a encenação de textos
selecionados para o vestibular chamou-se Literatura Viva. Tive o prazer de
assistir, tão impressionado quanto Moacir Scliar, sentado ao meu lado, à noite
de estréia do espetáculo "Literatura Viva", que levou ao palco, dramatizando-as,
transportando-as para a linguagem do teatro, as obras literárias que os
vestibulandos deviam conhecer para o Vestibular da Acafe e da UFSC, inclusive a
dele.
Espetáculo dirigido aos vestibulandos, mas que o público em geral poderia
ver. Todos os apreciadores do bom teatro e da boa literatura ficariam
encantados, tanto pelos autores e suas respectivas obras escolhidos, como pela
performance dos atores e a montagem dos professores/diretores, a ótica de uma
feliz releitura.
Obras de Graciliano Ramos, Machado de Assis, Mário de Andrade,
Manoel Antonio de Almeida, Rubem Fonseca, Luís Delfino, Manuel Bandeira, Cruz e
Sousa e Moacir Scliar que, como já disse, estava presente, foram encenadas e/ou
recitadas e, além de ajudar os vestibulandos, que ganharam motivação para
conhecer mais a fundo a obra dos autores apresentados. Além disso, há a grande
contribuição no sentido de se lançar mão de mais uma alternativa para a
popularização da literatura.
Em Florianópolis, chamou-se "Literatura in Cena".
É, basicamente, a mesma coisa feita em Joinville, com o mesmo objetivo:
facilitar o acesso às obras literárias exigidas para o vestibular e incentivar a
sua leitura. Só que na capital, os criadores do espetáculo preferiram não
focalizar todos os autores selecionados para o certame. Foram adaptadas três
obras apenas, incluindo Cruz e Sousa, apresentados por dez atores profissionais
em cena e quatro músicos.
Em tantas outras cidades, de outros estados, tem-se
adaptado romances, contos, poemas e crônicas para serem levados ao palco, de
autores indicados para os vestibulares, tentando despertar, assim, a curiosidade
dos vestibulandos e do público em geral para encaminhar à leitura dos textos
originais.
O teatro, o cinema, os resumos, frise-se, mais uma vez e sempre,
servem apenas para que se vá procurar nos livros as versões integrais, pois só
lendo a obra original é que podemos conhecer características como estilo e
linguagem do autor.
(17 de agosto/ 2002)
CooJornal no 272
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC