| Luiz Carlos Amorim
O SOM DA POESIA |

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Sempre
gostei de ouvir alguém declamar um poema - alguém que soubesse fazê-lo. Há muita
diferença em ouvir alguém ler um poema e ouvir alguém declamar um poema. A
leitura, pura e simples, quase sempre deprecia o poema, não lhe faz jus. Ao
contrário, uma declamação bem feita, apropriada, valoriza o poema.
Infelizmente, a arte da declamação é cada vez menos praticada. A arte de saber
dizer um poema é cada vez mais restrita a uns poucos e é uma coisa que não há
onde aprender. Não existem cursos, é uma qualidade nata, que alguns
privilegiados têm. Eles só precisam ser descobertos, precisam ter oportunidade
de desenvolver o seu talento.
Temos muita necessidade de que existam pessoas que saibam dizer poemas, que
saibam recriar a emoção e a sensibilidade que o poeta imprimiu em seus versos,
arrancar todo o significado das palavras.
Porque eles são muito poucos, nos dias atuais, em que tanto precisamos de um
pouco de poesia em nossas vidas. Eles existem, mas são poucos.
Tenho alguns amigos comunicadores que trabalham no rádio, que sabem declamar
poesia e o fazem em seus programas. Eles dão vida aos poemas de poetas
consagrados, mas também dão espaço ao trabalho de poetas novos como nós.
Declamar é um dom. Acho que quem tem esse dom é abençoado, por conseguir dar som
e significado aos nossos versos, fazê-los encontrar o caminho que os leva direto
ao coração de quem ama a poesia.
Por tudo isso, reputo de grande importância o concurso anual de declamação que
existe em Jaraguá do Sul, cidade ao norte de Santa Catarina, pois ele faz com
que pessoas que têm esse dom sejam reveladas e sua arte possa chegar até nós.
Sempre no mês de julho, quando a cidade faz aniversário, em pleno frio do
inverno os jaraguaenses ganham o calor do som e da força da poesia. Há também
outros eventos em que a declamação tem relevante importância, quando não se
reduz apenas à leitura do poema: no saraus, que voltaram à voga em Santa
Catarina, em São Paulo, no Paraná e outros estados. Também nas Feiras de Arte,
como em Joinville, onde existe o “Palco da Liberdade” e os poetas podem subir lá
e dizer os seus poemas ou de outrem – talvez não declamar, mas pelo menos
lê-los. E é assim, havendo oportunidade, que surgem os bons declamadores.
(10 de agosto/ 2002)
CooJornal no 271
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC