03/08/2002
Número - 270

 

Luiz Carlos Amorim

 

CORES DE INVERNO

 

Estamos no inverno, mas sempre que saio de casa, para ir ao trabalho, à academia, à aula de inglês, ao supermercado, ou simplesmente para caminhar, encontro no caminho, em algum jardim ou esquina, um pé de jacatirão. Eu já disse que é inverno? Pois é, e lá estão elas, pequenas mas majestosas, às vezes nem tão pequenas, cobertas de flores de pétalas coloridas em tons que vão desde o branco até o vermelho.

Fico maravilhado com o fato de poder vê-las – as flores de jacatirão – em junho, julho, quando o frio do inverno não é propício a uma flor que eu reputava ser de um tempo mais quente.

Eu estava acostumado a tê-las a partir de outubro, na primavera e no verão. No norte e nordeste de Santa Catarina, as matas, as florestas, as encostas ficam tingidas de vermelho, lilás e branco, num espetáculo grandioso, uma esfuziante festa de cores e luzes.

E esta encantadora e inigualável performance da natureza começa em meados da primavera, indo até o auge do verão, enfeite natural de nossas árvores de Natal, a explosão de cores para festejar a chegada dos novos anos.

No carnaval, quando as flores estão acabando em Santa Catarina, recomeça o espetáculo no Paraná, beleza que pode ser vista por todos que passam pela BR 101.

Por volta de abril, perto da Páscoa, as flores de jacatirão florescem no interior de Santa Catarina, mais ao sul, e também no Rio Grande ao Sul. Por isso, os pés de jacatirão tem também o nome de Quaresmeira: em alguns estados – e eu não vou enumerar, pois são muitos – os jacatirões florescem na quaresma, substituindo o verde das matas pelas cores das suas pétalas, pelos nossos outonos afora.

É uma flor de todas as estações e é uma árvore das mais belas, só se comparando à luminosidade de um ipê florido, quando todas as suas folhas desaparecem para dar lugar às pétalas amarelas.

A diferença é que esperamos a visão fantástica de um ipê faiscando luz amarela por um ano e só podemos ver este espetáculo por uma semana. Os pés de jacatirão, no entanto, florescem durante meses, são mais humildes, mas mais generosos, mais numerosos, mais freqüentes. Quase tão numerosos quanto a azaléia, que também floresce no inverno, em julho, fechando de flores vermelhas, brancas ou rosas suas touceiras. Até porque a azaléia é cultivada nos jardins, enquanto os jacatirões, apesar de existirem, em sua versão híbrida, em muitos jardim – aqueles que florescem nos tempos frios – nascem e crescem livres pela natureza.




(03 de agosto/ 2002)
CooJornal no 270


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Joinville, SC