20/07/2002
Número - 268


 

Luiz Carlos Amorim

 

OS BEST-SELLERS

 

O leitor brasileiro lê, felizmente, o escritor nacional. Mas é uma parcela proporcionalmente pequena – os “enlatados”, os livros importados ainda vendem mais, quer queiramos ou não.

Culpa do leitor? Nem tanto, talvez. Para as grandes editoras, é muito mais fácil comprar pacotes de livros estrangeiros, com alguns ou um best-seller, que seja, e outros tantos entulhos, de contrapeso, que sai bem mais barato do que investir nos novos valores da terra, nos autores nacionais.

E esses mesmos editores colocam a “máquina”, com todas as suas mídias, a promover títulos e autores não raro desconhecidos por aqui, investindo na venda dos “sucessos internacionais” e relegando o escritor brasileiro a sua própria sorte, ou seja, ao ineditismo.

Quem já conseguiu um lugar ao sol, com talento, muito trabalho e perseverança, quem vende livros, tudo bem, tem a publicação de sua obra garantida e vive do ofício de escrever. E nem são tantos, pois enfrentam a concorrência desleal. Desleal, sim, pois os títulos importados são lançados com grandes campanhas promocionais, indicados como campeões de vendagens em tantos e quantos países. A propaganda funciona, mesmo que não espelhe a verdade, despertando a curiosidade dos leitores que, sugestionados, acabam por comprá-los, transformando-os realmente em sucesso de vendas. Se o leitor leu ou não, se o livro era bom ou não, já é outra história: o importante é que o livro foi vendido.

E, ainda que o livro não venda, apesar de uma grande campanha promocional, mesmo assim ele aparece nas listas de mais vendidos de revistas e jornais de grande circulação, atingindo, assim, aqueles leitores que só lêem se o livro for “sucesso”. Sim, porque há “leitores” que só compram o livro porque ele está nos primeiros lugares, porque é muito comentado ou porque fulano já leu.

Não interessa se gostou ou não do livro, se leu o livro todo ou não conseguiu chegar ao final. Há até o “leitor” que lê a sinopse, o “leitor de orelha”, para poder dizer que leu o livro.

Os leitores que lêem porque gostam de um bom livro, de uma história bem contada, e sabem escolher o que ler parecem não ser tantos quanto deveriam. Mas isto pode estar mudando. A literatura infantil é um dos gêneros que mais vende, nos últimos tempos, e isto significa que os leitores em formação estão no caminho certo para fazer com que este cenário seja outro num futuro próximo.


(20 de julho/ 2002)
CooJornal no 268


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Joinville, SC