| Luiz Carlos Amorim
OS BEST-SELLERS |

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O leitor brasileiro lê, felizmente, o escritor nacional. Mas é uma parcela
proporcionalmente pequena – os “enlatados”, os livros importados ainda vendem
mais, quer queiramos ou não.
Culpa do leitor? Nem tanto, talvez. Para as grandes editoras, é muito mais fácil
comprar pacotes de livros estrangeiros, com alguns ou um best-seller, que seja,
e outros tantos entulhos, de contrapeso, que sai bem mais barato do que investir
nos novos valores da terra, nos autores nacionais.
E esses mesmos editores colocam a “máquina”, com todas as suas mídias, a
promover títulos e autores não raro desconhecidos por aqui, investindo na venda
dos “sucessos internacionais” e relegando o escritor brasileiro a sua própria
sorte, ou seja, ao ineditismo.
Quem já conseguiu um lugar ao sol, com talento, muito trabalho e perseverança,
quem vende livros, tudo bem, tem a publicação de sua obra garantida e vive do
ofício de escrever. E nem são tantos, pois enfrentam a concorrência desleal.
Desleal, sim, pois os títulos importados são lançados com grandes campanhas
promocionais, indicados como campeões de vendagens em tantos e quantos países. A
propaganda funciona, mesmo que não espelhe a verdade, despertando a curiosidade
dos leitores que, sugestionados, acabam por comprá-los, transformando-os
realmente em sucesso de vendas. Se o leitor leu ou não, se o livro era bom ou
não, já é outra história: o importante é que o livro foi vendido.
E, ainda que o livro não venda, apesar de uma grande campanha promocional, mesmo
assim ele aparece nas listas de mais vendidos de revistas e jornais de grande
circulação, atingindo, assim, aqueles leitores que só lêem se o livro for
“sucesso”. Sim, porque há “leitores” que só compram o livro porque ele está nos
primeiros lugares, porque é muito comentado ou porque fulano já leu.
Não interessa se gostou ou não do livro, se leu o livro todo ou não conseguiu
chegar ao final. Há até o “leitor” que lê a sinopse, o “leitor de orelha”, para
poder dizer que leu o livro.
Os leitores que lêem porque gostam de um bom livro, de uma história bem contada,
e sabem escolher o que ler parecem não ser tantos quanto deveriam. Mas isto pode
estar mudando. A literatura infantil é um dos gêneros que mais vende, nos
últimos tempos, e isto significa que os leitores em formação estão no caminho
certo para fazer com que este cenário seja outro num futuro próximo.
(20 de julho/ 2002)
CooJornal no 268
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC