13/07/2002
Número - 267


 

Luiz Carlos Amorim

 

POESIA NA TARDE...

 

Grata surpresa, numa tarde destas: o amor em forma de poesia. Amor de todas as origens e de todos os destinos. Poesia como veículo do amor. E de tarde. Eu conhecia, à distância, a Marisa Bueloni, jornalista de Piracicaba, que defendia, como eu, um espaço na imprensa para divulgar a literatura, a poesia, a nossa gente nova que está começando a escrever. E, de repente, me chega às mãos o seu livro de poemas. Li de um fôlego só.

Dizer que Marisa tem sensibilidade tanta e lirismo tamanho, não é preciso, absolutamente. Dizer que Marisa, com toda a sensibilidade e lirismo que tem, nos passa toda a emoção que é capaz de sentir, então, nem se fala. O que temos, mesmo, é que lê-la, senti-la. Uma simplicidade humilde a dizer verdades, ora terna, ora inquieta, ora inconformada, teimosa, ora cúmplice. E a gente consegue conhecer Marisa, sem nunca tê-la visto de perto. Que idade tem Marisa? Tem quinze, vinte ou trinta, a Marisa menina, a Marisa mulher...

Marisa sentindo saudades: “... não sei mais / se é velha / ou se é prematura”. “Pode ser / até / que eu seja feliz.” Pode. “Minha boca se enche de água / com gosto de chocolate ... Sou bem assim / se sou”. “Se a primavera não brotasse / brotava eu / no lugar dela...” Ah, como é bonita a primavera de Marisa! A minha é triste...

“Vai ficar a faca laser / eu não...” É possível. É passível. Mas fica a sua poesia, viva, “um punhal de esperança / gravado no coração” de todos nós.

“E eu lamento, profundamente / não ter nascido com asa”. Pra quê, Marisa, se a sua poesia tem tanta e voa tão alto, tão longe?

“O amor é tão belo / que eu tenho medo / de ficar viciada / de virar fanática / de acabar maníaca”. Não tenha medo, Marisa. Ame tudo o que for capaz. “Gosto do poema / que nasce curto / no comprido das horas.” Eu também, Marisa. Porque é nessas horas que a emoção se liberta e desliza pelos dedos versos tão bonitos como os seus. “É a alma, silenciosa, / em possível eloqüência.” Pois é, Marisa. Invejo você por fazer versos tão simples e ao mesmo tempo tão fortes, tão lindos e profundos. Digo isso como leitor e como poeta, a quem a sua poesia disse tudo o que queria dizer. E a função da poesia é essa.


(13 de julho/ 2002)
CooJornal no 267


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Joinville, SC