| Luiz Carlos Amorim
O LIVRO, AS BIENAIS E AS FEIRAS
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A julgar pela 17ª Bienal Internacional do Livro, que terminou no
início de
maio, o "consumo" de livros vai muito bem no Brasil, obrigado. A cada
grande
evento de oferta de livros como esse - um ano acontece a Bienal de São
Paulo, no outro a Bienal do Rio e pelo país existem várias Feiras do
Livro -
as vendas e o número de visitantes aumenta.
Na Bienal que recém terminou, segundo o presidente da Câmara
Brasileira do
Livro, a constatação maior foi de que reunir a maior quantidade de
livros
possível e colocá-los ao alcance do público, em lugar apropriado e
agradável, faz com que o leitor venha até eles para comprá-los.
Eu diria, como já disse em outra oportunidade, pensando na Feira de
Rua do
Livro que acabou no final de semana passado, em Florianópolis, que
colocar
livros no caminho do leitor faz com que ele compre e leia.
Já testamos isso com a poesia: em Santa Catarina o Grupo Literário A
ILHA
colocou os poemas em cartolinas, pendurou os cartazes em varais presos
por
grampos, nas Feiras de Arte e Artesanato, festas, escolas, praças,
bancos,
bares e lojas, e assim, com o Varal da Poesia, meses a fio, por vários
anos, fizemos com que as pessoas esbarrassem com a poesia e acabassem
por
conhecê-la, lendo-a e até adquirindo o hábito de ler, passando dos
poemas
expostos para os livros. O Projeto Varal da Poesia evoluiu para o
Projeto
Poesia no Shopping de hoje.
Os organizadores comemoraram o crescimento verificado: o público que
visitou
a Bienal do Livro em São Paulo aumentou em 35 por cento, em relação ao
ano
de 2000, e as vendas em 25 por cento. Não se comparou o resultado
desta
Bienal com a do Rio do ano passado.
Estamos comprando mais livros? É o que parece, felizmente. Embora o
livro
continue caro e o preço dos best-sellers não mude muito nas feiras,
tem
havido, nelas, oferta de títulos por R$ 1,00, R$ 1,99, R$ 2,00. E não
são só
livros infantis que podiam ser encontrados por esses preços: há outros
gêneros, em edições econômicas, formatos diferenciados, não tão
refinados,
de outros gêneros, mas com boa apresentação.
Um "boom" nessas últimas feiras foram os livros que combinam fotos de
animais com pequenos textos - quatro ou cinco deles - principalmente
um com
apelo às mães, que vendeu muitíssimo bem, pois tanto a Bienal de São
Paulo
como a Feira de Rua do Livro de Florianópolis aconteceram pouco antes
e
durante o Dia das Mães. Um formato simples e funcional, amarrar as
fotos, de
bom gosto e de animais, com textos objetivos, filosóficos ou poéticos.
Em Florianópolis já são três feiras do livro: a de rua, a tradicional,
em
local fechado, no segundo semestre e a Bienal do Livro do Mercosul.
Esse
crescimento deve significar que mais leitores estão comprando livros e
isso
é um ótimo sinal. Com a distribuição dos livros, pelo MEC, para os
alunos do
segundo grau, em todo o país, o que certamente vai incentivar a
leitura
entre leitores em formação, outro passo importante está sendo dado
para que
o livro venha a ser, quem sabe, num futuro próximo, uma presença mais
constante na vida do brasileiro.
(25 de maio/ 2002)
CooJornal no 260
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC