| Luiz Carlos Amorim
O ESCRITOR
E O ESTADO
|

|
O escritor catarinense - assim como muitos outros de outros estados
brasileiros - é, antes de tudo, um forte. Forte e teimoso, pois além
de não conseguir editora para publicar seu livro, nem aqui no nosso
estado nem fora dele, quando consegue ter o livro pronto, fruto de
recursos próprios ou algum patrocínio, também tão escasso, esbarra no
fantasma da distribuição. E digo fantasma, porque ela não existe. Até
mesmo as editoras tradicionais do estado têm dificuldade para
distribuir e vender seus livros, imagine-se o escritor com sua edição
própria.
É claro que o autor de edição própria se esforça, pega seu livro,
coloca-o debaixo do braço e vai à luta, oferecer de porta em porta.
Mas, por mais que consiga esgotar uma edição, o alcance do livro
fica restrito a um círculo de amizade, um bairro, quando muito a uma
cidade.
Para atenuar esse problema e fazer com que o escritor da terra seja
conhecido e lido não só na sua cidade, mas em toda Santa Catarina, o
governador sancionou a lei número 8759, em 27 de julho de 1992, que
dispõe sobre a aquisição de livros de autores catarinenses pelo
estado, com a finalidade de integrar acervo das bibliotecas públicas
municipais. A lei especifica, também, que em todos os casos, será
considerada a qualidade da obra, qualidade esta que seria medida ou
avaliada pela Comissão Catarinense do Livro.
Como a lei, no entanto, está fazendo dez anos sem que, na prática,
tenha sido levada a efeito, a União Brasileira de Escritores de Santa
Catarina veio reivindicar a sua execução, em documento enviado ao Sr.
Governador. A resposta veio confirmar o não cumprimento da lei
até então, por "falta de orçamento", mas trazia a esperança de, neste
exercício de 2002, "contar com os recursos indispensáveis à perfeita
execução daquele preceito legal". Um passo já foi dado, que foi o de
reativar a Comissão Catarinense do livro. Esperemos que a verba para a
compra dos livros tenha sido lembrada e que finalmente os livros de
autores desta terra catarina cheguem às bibliotecas municipais. Bom
seria se chegassem até as bibliotecas das escolas, mas já estará muito
bom se chegar às bibliotecas públicas. O escritor catarinense terá de
continuar o trabalho junto às escolas, fazendo-se conhecer e
divulgando sua obra, tentando vender o seu livro ao leitor em formação
e, na impossibilidade, fato comum, fazer saber que o mesmo está à
disposição na biblioteca pública da cidade.
Promessa nem sempre é dívida, mas esperança é o que nos move para o
futuro.
Luiz Carlos
Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC