| Luiz Carlos Amorim
LIVRO DE PRESENTE
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O Natal já passou, eu sei, mas tenho que falar de um presente que ganhei, um grande
presente. Falo do livro da minha amiga Urda, de Blumenau, Crônicas de Natal e
Histórias da Minha Avó. Ela me enviou o livro, em dezembro, eu o li e em seguida
mandei-lhe uma mensagem, agradecendo-lhe por ressuscitar o Natal dentro de nós. E ela
rapidinho respondeu, afirmando que eu dissera a coisa mais linda sobre o seu novo livro.
Mas eu não disse nada mais que a verdade. Quem ler o livro, há de concordar. Como não
voltar àquelas tardes mágicas da nossa infância, quando ajudávamos as
nossas mães a fazer, a assar, a pintar os biscoitos de Natal? Fazer doces de Natal e
enfeitar uma árvore na sala de visitas significava que o grande dia estava muito
próximo, que a noite que trazia Papai Noel para entregar presentes e chocolates, aquela
fantástica noite finalmente estava chegando. Sim, porque acreditávamos que Papai Noel
existia, abençoada infância! E Urda nos traz de volta essa inocência, no questionamento
entre crianças que fomos, certeza inquestionável naquela idade, porque Papai Noel
existia, sim. E o Dia de São Nicolau, tão desconhecido, até por nós! Era a prévia do
Natal, no início de dezembro, nos dezembros esquecidos da minha infância, já longe.
Urda me devolveu o espírito do Natal, com O dia mais mágico do ano. E não
é verdadeiramente mágico? Meus filhos já são quase adultos, não temos mais crianças
em casa, e uma casa sem criança fica triste no Natal. Criança faz com que a gente não
esqueça a existência do Criador, do Cristo que é a razão do Natal. A criança nos dá
a certeza que Ele ainda acredita no homem. Enquanto houver crianças, saberemos que Deus
estará nos dando, ainda, um voto de confiança.
E Urda nos conta mais, conta a história de um Natal na África sua irmã, também
escritora, viveu na África - conta as suas histórias de Natal e as histórias de sua
avó. Exímia contadora de histórias que sempre foi, nada escapa a sua sensibilidade de
escritora, a sua emoção e lirismo de poeta. Sim, porque apesar de não escrever versos,
toda a obra de Urda está repleta de poesia.
Tenho certeza que o último Natal foi muito mais Natal para muitos dos que tiveram o
privilégio de ler o livro de Urda. Faltava um livro assim, que devolvesse ao Natal a sua
condição de festa mágica, que devolvesse o seu encantamento simples de comemorar o
nascimento de um menino especial, que viria para trazer essa esperança de renovação, de
tempos novos e melhores. Isso tem de ser comemorado, sempre, com aquelas canções tão
nossas conhecidas, com os doces, com o Papai Noel dos brinquedos das crianças, com as
árvores enfeitadas, com a neve de mentirinha, com as histórias de nossas avós, com uma
oração saída do coração numa noite de encantamento, pedindo ao aniversariante que
esteja conosco para que possamos cultivar a paz num tempo novo que está sempre
começando.
(30 de março/2002)
Luiz
Carlos Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC