| Luiz Carlos Amorim
LIVROS E APOSTILAS
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Início de ano letivo. Quem tem filhos na escola, começa a maratona de pesquisa de
preços para a compra de material escolar, livros e apostilas.
Os livros, como sabemos, são caros, mesmo os didáticos principalmente, talvez,
porque precisamos comprá-los. Então, em alguma época de um passado não muito distante,
alguém descobriu a apostila: ela reuniria toda a matéria a ser estudada, de várias
disciplinas em um único volume, para baratear o preço final para o aluno.
A finalidade da idéia era fazer com que o estudante, ao invés de comprar vários livros,
tivesse as suas necessidades supridas com a apostila. Infelizmente, o propósito inicial
desvirtuou-se, porque a apostila tornou-se popular e prática e - ironia do destino -
acabou transformando-se no pesadelo de pais e alunos. Sim, porque apesar de ser feita com
material condensado de outros livros, está saindo muito cara e nem sempre tem
bom conteúdo.
Uma apostila de um conhecido curso, para segundo grau, adotada por várias escolas,
reunindo todas as disciplinas correspondentes à série estudada, mas dividida em volumes
por bimestre, está custando de quarenta e cinco a cinqüenta e cinqüenta e cinco reais
cada uma. Se fizermos as contas, os livros que seriam comprados no lugar das apostilas
poderiam, até, sair por menos.
E isso sem contar que não há um crédito, sequer, nas ditas apostilas, uma bibliografia
que indique de onde foram condensados os textos publicados ali. Quer dizer: o
conteúdo pode ter sido copiado aqui e acolá e é publicado sem pagar direitos autorais a
ninguém.
Não é uma indústria de lucro fácil? É, realmente, muito fácil catar
conteúdo eu diria chupar em várias fontes e publicar,
simplesmente, sem dar nenhum crédito a quem quer que seja. Mas é ilegal. Isso é
plágio, é roubo. É pirataria.
Onde estariam as autoridades competentes que ainda não viram isso? O propósito da
famigerada apostila, que era facilitar ao aluno a aquisição do material didático para
estudar, diluiu-se na ganância de cursos e editoras que o transformaram numa maneira
fácil de ganhar dinheiro.
O Ministério da Educação está gastando 67 milhões e meio de reais na compra de livros
das grandes editoras brasileiras para que os estudantes de quarta e quinta séries montem
bibliotecas em suas escolas. Ótimo, excelente, pois isso vai disponibilizar boa
literatura brasileira e portuguesa nas escolas para formar o hábito da leitura. Talvez
pudesse, também, fiscalizar ou normatizar as apostilas que proliferam por aí
para que pais e alunos não sejam roubados.
(março 2002)
Luiz
Carlos Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC