| Luiz Carlos Amorim
AS FLORES DE JACATIRÃO
|

|
Nós, da região litorânea norte do Estado de SC, nem precisamos nos dar ao
trabalho de enfeitar uma árvore no Natal. Em novembro, no auge da primavera, os
jacatirões começam a florescer, prenunciando o verão, anunciando a festa maior.
E em dezembro, o que vemos é um espetáculo grandioso de cor e beleza: nossas matas,
nossos caminhos e encostas estão totalmente enfeitados por milhares de árvores que
substituíram suas folhas por incontáveis flores que oscilam entre o rosa, o branco e o
lilás, resultando, à distância, um matiz avermelhado misturando-se ao verde.
Por isso, não é preciso enfeitarmos outras árvores: é só abrirmos nossas janelas e
olharmos para a encosta mais próxima, para o arvoredo ao lado e até para o jardim do
vizinho, que temos as árvores mais bonitas, as mais coloridas, presentes de Mãe Natureza
nos nossos Natais.
E os novos anos entram ornados pelas tantas flores do jacatirão e pelo sol de verão,
fazendo com que possamos, realmente, ter esperança de dias melhores e enfrentar com mais
alegria os tempos difíceis que atravessamos e que poderão ser diferentes, se soubermos
olhar e ver as coisas boas que perduram.
Sim, porque é preciso saber olhar para ver, como já escreveu Cecília Meireles em
"A Arte de Ser Feliz": se ficarmos apenas a lamentar e não pararmos para ver as
flores à beira do caminho, se não soubermos vê-las, como pretender ser feliz?
As flores dos jacatirões chegam à cada primavera, mostrando-nos que o mundo ainda é
bonito e que vale a pena estar aqui.
Descobri, no último outono, que não é só o Natal que o jacatirão anuncia. Ao viajar
pelo interior de Santa Catarina, a caminho do Rio Grande do Sul, entendi porque o
jacatirão tem também o nome de quaresmeira. Ele floresce, naquela região,
antes da Páscoa e enche de cor o caminho entre Florianópolis e Alfredo Wagner, entre
outros.
Tomara que o progresso não acabe com os nossos jacatirões, para que eles continuem
explodindo na primavera, enfeitando nossos verões, entrando pelo outono e quase rompendo
o inverno, descortinando esse espetáculo esfuziante que temos ao ver nossos caminhos
coloridos com tanta árvore-flor...
Alguém percebeu que, com a duplicação da BR 101 desapareceram mais da metade dos
jacatirões que haviam à margem da estrada?
(dezembro 2001)
Luiz
Carlos Amorim,
escritor e poeta Coordenador do Grupo
Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa,
Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br
Joinville, SC