Luiz Carlos Amorim

 

O PREÇO DO LIVRO

 


Passou a Bienal do Livro, a Feira do Livro de Florianópolis, também Bienal do Cone Sul e, apesar dos saldos positivos, ficou-me a impressão de que alguma coisa não estava bem resolvida.

Os balanços finais dessas feiras têm sido excelentes, com os organizadores e promotores divulgando números sempre superiores aos esperados. Foi assim com a Bienal do Rio, foi assim com a Feira do Livro de Santa Catarina e deverá ser assim também com a tradicional Feira do Livro de Porto Alegre.

Visitei e participei das duas primeiras e comprovei que realmente a visitação foi grande e as pessoas realmente compraram livros. Umas mais, outras menos, mas compraram. Livros técnicos, livros de auto-ajuda, religiosos, infantis, livros didáticos, aí incluindo-se dicionários.

Um detalhe, no entanto, não ficou claro: num mega-evento como um Feira de Livros, uma Bienal, onde estão reunidos quase todos os editores e livreiros, um do lado do outro, onde a concorrência é muito maior, os livros não deveriam ser mais baratos? 

Não é o que se tem constatado, com raras exceções, como a dos livros infantis, por exemplo. Os livros, a maioria deles, são oferecidos, na feira, pelos mesmos preços praticados nas livrarias estabelecidas fora dela. 

O diferencial das feiras não era justamente esse – poder reduzir o preço unitário, oferecendo-se maior quantidade e variedade? Penso, cá com meus botões, que as feiras deveriam possibilitar que as pessoas que gostam de ler possam comprar mais livros e propiciar, principalmente, àquelas que até então não tinham condições de comprá-los, a oportunidade de começar a fazê-lo.

Chega a ser engraçado o fato de se perguntar quanto está custando determinado livro na livraria e o vendedor, na feira, nos responder: “é o mesmo preço, tanto faz lá ou aqui, pode comprar lá, se quiser, mesmo depois da feira.” 

Sei que já houve tentativa de padronizar um desconto nestes eventos – dez, quinze ou vinte por cento – mas é claro que não deu certo.

A não ser que haja algum “sebo” na feira, como havia na Bienal, ou grande quantidade de pequenos livros infantis – que são os que mais vendem, sabemos – e isto havia em ambas -, a existência das feiras não significa livros mais baratos.

Continuaremos evitando entrar em livrarias – já que não temos dinheiro para comprar livros – até quando? 

O consolo é que existem as bibliotecas municipais, de escolas, de empresas, de associações e clubes, onde podemos emprestar livros geralmente de graça, embora lá nem sempre possamos esperar que encontremos títulos mais recentes. 

De qualquer maneira, o importante é que existe a alternativa, pois já falamos, em outros textos, sobre o quão caro é o livro no Brasil.

A verdade é que, se o objetivo de uma feira do livro é reunir num mesmo espaço uma quantidade maior de opções para quem pode comprar livros, este objetivo é plenamente alcançado. Mas se o objetivo é tornar o livro mais acessível e popularizá-lo, dar oportunidade àqueles que não podem comprá-los, este, infelizmente, não se cumpre. 



(novembro 2001)
 


Luiz Carlos Amorim,
escritor e poeta
Coordenador do Grupo Literário A ILHA
Editor e Webmaster do portal Prosa, Poesia & Cia.
lzamorim@terra.com.br  
Joinville, SC