16/05/2025
Ano 28
Semana 1.417







Remédios e horas certas



Dr. Pedro Franco

Recebo telefonema às 22h. Não sei se tomei o remédio para pressão. Que faço, pergunta paciente. Complicado. Se tomar de novo e tiver tomado e esqueceu, a PA (pressão arterial) pode cair demais, o que não é aconselhável. Se não tiver tomado e não tomar a PA pode subir demais. Complicado e então a paciente já está tensa com as possibilidades e tensão emocional altera a PA. Se houver ocasião da PA ser monitorada naquela noite, vamos acompanhar a evolução e então tomar as providências cabíveis para PA. Eu, sendo médico, levo em consideração que a paciente está tensa. Então estamos complicados e o Conselheiro Acácio (figura do Mestre Eça de Queiroz) já dizia que há casos e casos e que melhor para aquele problema ser resolvido, era não ter ocorrido. Então vemos que médico e paciente têm problema. Que não ocorreria, se ao lado da cartela do remédio, houvesse papel e esferográfica. Nome do remédio e horário. Tomou, cruz em cima do horário. Se fizer assim, as dificuldades acima não ocorrerão. Só que o enfermo se esquece e é destes esquecimentos, que com a idade, costumam ocorrer, é que haja suporte de parente, ou cuidador, para o idoso. Parente ou cuidador, enfim alguém devotado. Infelizmente não há uso interno totalmente eficaz para a perda da memória. Não estou dizendo que em esquecimentos nada há a fazer, mas certos idosos precisam de ajuda e venho batendo muito nesta tecla, pois lido em cada dia de consulta com o problema. Doutor, me esqueci, e aí vem problema e de todos os matizes. Então, se tem amizade por um idoso, saiba que ele muito precisa de ajuda. O paciente nega que se esqueceu de contar determinado fato. E como suas mesmas queixas são repetidas no dia a dia de um consultório! Sei antecipadamente que vou atender idoso cuidado e outro desassistido. De antemão sei que haverá paciente hipertenso. Outro com insônias, outros deprimidos e todos precisando conversar, trocar ideias e alguns julgam que podem atender um paciente em 10 minutos. Talvez se um paciente fosse um robô, os dez minutos bastassem. Mas não lidamos com máquinas e sim com pessoas. A Medicina cresceu muito em tecnologia e como! Gostaria muito de poder dizer o mesmo na relação paciente/médicos. E antes que ocorram lamúrias. Bom dia e marquem em papel as horas dos medicamentos.

Pedro Franco é médico cardiologista
pdaf35@gmail.com
RJ





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