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Remédios e horas certas
Dr. Pedro Franco
Recebo telefonema às 22h. Não sei se tomei o remédio para pressão. Que faço,
pergunta paciente. Complicado. Se tomar de novo e tiver tomado e esqueceu, a PA
(pressão arterial) pode cair demais, o que não é aconselhável. Se não tiver
tomado e não tomar a PA pode subir demais. Complicado e então a paciente já está
tensa com as possibilidades e tensão emocional altera a PA. Se houver ocasião da
PA ser monitorada naquela noite, vamos acompanhar a evolução e então tomar as
providências cabíveis para PA. Eu, sendo médico, levo em consideração que a
paciente está tensa. Então estamos complicados e o Conselheiro Acácio (figura do
Mestre Eça de Queiroz) já dizia que há casos e casos e que melhor para aquele
problema ser resolvido, era não ter ocorrido. Então vemos que médico e paciente
têm problema. Que não ocorreria, se ao lado da cartela do remédio, houvesse
papel e esferográfica. Nome do remédio e horário. Tomou, cruz em cima do
horário. Se fizer assim, as dificuldades acima não ocorrerão. Só que o enfermo
se esquece e é destes esquecimentos, que com a idade, costumam ocorrer, é que
haja suporte de parente, ou cuidador, para o idoso. Parente ou cuidador, enfim
alguém devotado. Infelizmente não há uso interno totalmente eficaz para a perda
da memória. Não estou dizendo que em esquecimentos nada há a fazer, mas certos
idosos precisam de ajuda e venho batendo muito nesta tecla, pois lido em cada
dia de consulta com o problema. Doutor, me esqueci, e aí vem problema e de todos
os matizes. Então, se tem amizade por um idoso, saiba que ele muito precisa de
ajuda. O paciente nega que se esqueceu de contar determinado fato. E como suas
mesmas queixas são repetidas no dia a dia de um consultório! Sei antecipadamente
que vou atender idoso cuidado e outro desassistido. De antemão sei que haverá
paciente hipertenso. Outro com insônias, outros deprimidos e todos precisando
conversar, trocar ideias e alguns julgam que podem atender um paciente em 10
minutos. Talvez se um paciente fosse um robô, os dez minutos bastassem. Mas não
lidamos com máquinas e sim com pessoas. A Medicina cresceu muito em tecnologia e
como! Gostaria muito de poder dizer o mesmo na relação paciente/médicos. E antes
que ocorram lamúrias. Bom dia e marquem em papel as horas dos medicamentos.
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